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Mercado de capitais bate recorde e movimenta R$ 361,8 bi no primeiro semestre

Mercado de capitais bate recorde e movimenta R$ 361,8 bi no primeiro semestre

Entre janeiro e junho de 2026, as captações somaram R$ 361,8 bilhões, alta de 9,8%

O mercado de capitais brasileiro registrou o melhor primeiro semestre da série histórica da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), iniciada em 2012. Entre janeiro e junho de 2026, as captações somaram R$ 361,8 bilhões, alta de 9,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

Além do crescimento no volume financeiro, o número de operações também avançou. Ao todo, foram realizadas 1.513 captações no primeiro semestre, aumento de 13% na comparação anual, indicando maior dinamismo e diversificação das fontes de financiamento utilizadas pelas empresas.

Segundo a Anbima, o desempenho reflete a maturidade do mercado brasileiro, que tem ampliado o acesso das companhias a diferentes instrumentos financeiros mesmo em um cenário de incertezas no ambiente internacional.

Renda fixa segue liderando as captações

A renda fixa permaneceu como principal fonte de recursos no mercado de capitais, respondendo por R$ 288,8 bilhões das emissões realizadas no semestre.

As debêntures concentraram a maior parte desse volume, com R$ 169,8 bilhões captados. Embora o montante represente uma queda de 12,1% em relação ao primeiro semestre de 2025, o número de operações aumentou de 268 para 278.

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As debêntures incentivadas mantiveram participação elevada nas emissões, respondendo por 38,3% do total captado. O setor de energia elétrica foi o principal responsável por essas operações, representando mais da metade das emissões desse tipo de título.

No mercado secundário, a negociação de debêntures apresentou crescimento expressivo. O volume movimentado alcançou R$ 494,6 bilhões, avanço de 20,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

As emissões de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) totalizaram R$ 20,3 bilhões, enquanto os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) somaram R$ 7,1 bilhões. Ambos os segmentos registraram retração em relação ao primeiro semestre de 2025.

Já as notas comerciais atingiram um recorde de operações para um primeiro semestre, com 123 emissões, crescimento de 43%, apesar da redução de 11,4% no volume financeiro captado.

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) também tiveram participação relevante, movimentando R$ 53,1 bilhões distribuídos em 559 operações.

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Títulos híbridos registram crescimento recorde

O principal destaque do mercado de capitais no semestre ficou por conta dos instrumentos híbridos, que bateram recorde de captação ao somarem R$ 47,8 bilhões.

Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) responderam por R$ 39,5 bilhões em emissões, crescimento de 103,9% sobre o mesmo período de 2025. Já os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) captaram R$ 8,3 bilhões, avanço de 288,3%.

Segundo a Anbima, o crescimento foi impulsionado principalmente pela maior participação de pessoas físicas e fundos de investimento. As aplicações realizadas por investidores individuais passaram de R$ 9,7 bilhões para R$ 20,7 bilhões, enquanto os fundos ampliaram suas subscrições de R$ 6 bilhões para R$ 18,9 bilhões.

Com isso, os fundos de investimento passaram a responder por 39,6% das subscrições dessas ofertas, ante 28% registrados no primeiro semestre do ano anterior.

Mercado de ações volta a ganhar espaço

Após um período de baixa atividade, a renda variável voltou a registrar crescimento em 2026. O primeiro semestre marcou a realização do primeiro IPO após um longo intervalo sem ofertas iniciais de ações.

Além disso, as ofertas subsequentes (follow-ons) movimentaram R$ 22,2 bilhões entre janeiro e junho. No total, foram realizadas oito operações, o dobro do registrado no mesmo período de 2025. O volume captado já supera em 62,5% todo o valor movimentado pelo mercado de ações ao longo do ano passado.

Para o diretor da Anbima, Cesar Mindof, a combinação entre um ambiente externo mais instável e prêmios elevados nos instrumentos de renda fixa favoreceu uma composição mais diversificada das ofertas. Segundo ele, o crescimento do número de emissões demonstra o amadurecimento do mercado de capitais brasileiro.

Captações externas têm melhor primeiro semestre desde 2014

No mercado internacional, empresas, instituições financeiras e o governo brasileiro captaram US$ 24,8 bilhões no primeiro semestre de 2026, o melhor resultado para o período desde 2014.

As emissões do governo responderam por US$ 14,6 bilhões, equivalentes a 58,9% do total. As instituições financeiras captaram US$ 2,5 bilhões, enquanto as empresas levantaram US$ 7,7 bilhões no exterior.

Para Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, os números mostram que o mercado brasileiro segue consolidando sua capacidade de oferecer diferentes alternativas de financiamento às companhias, adaptando-se às condições econômicas domésticas e internacionais e ampliando as possibilidades de acesso ao capital.