A fabricante de rodas Iochpe-Maxion (MYPK3) registrou lucro líquido de R$ 87 milhões no segundo trimestre de 2026, praticamente estável em relação ao mesmo período de 2025, quando somou R$ 86,8 milhões. O resultado operacional medido pelo Ebitda ficou em R$ 417,5 milhões entre abril e junho, queda de 7,3% na comparação anual, com margem de 10,4%, ante 11% um ano antes.
O desempenho ficou abaixo das expectativas dos analistas consultados pela LSEG, que projetavam lucro líquido de R$ 76 milhões e Ebitda de R$ 490 milhões. A receita operacional líquida caiu 2,3%, para R$ 4 bilhões, pressionada principalmente pela menor demanda por veículos comerciais no Brasil e na América do Norte, além do impacto cambial negativo provocado pela valorização do real frente ao dólar. No trimestre, o efeito da variação cambial reduziu a receita em R$ 333,5 milhões.
Apesar da pressão sobre os volumes, a companhia conseguiu reduzir despesas operacionais, que recuaram 12,4% no trimestre, para R$ 213,8 milhões, refletindo medidas de controle de custos e efeitos cambiais sobre as operações internacionais. O resultado financeiro negativo também apresentou melhora, com queda de 22,7% na comparação anual, para R$ 117 milhões.
Endividamento recua e empresa reforça disciplina financeira
O lucro bruto da companhia alcançou R$ 485,5 milhões no período, com margem bruta de 12,1%. Já o custo dos produtos vendidos recuou 1,3%, para R$ 3,5 bilhões. Segundo a Iochpe-Maxion, a redução das margens ocorreu principalmente pela menor diluição dos custos fixos devido à queda dos volumes, especialmente no segmento de veículos comerciais, além da defasagem temporária entre a variação dos custos das matérias-primas e o repasse desses aumentos aos preços.
No balanço financeiro, a empresa encerrou junho com caixa e equivalentes de caixa de R$ 1,87 bilhão. A dívida líquida ficou em R$ 3,69 bilhões, uma redução de 6,9% em relação ao fim de 2025. A alavancagem financeira terminou o segundo trimestre em 2,52 vezes o Ebitda dos últimos 12 meses.
Após o encerramento do trimestre, a companhia informou a conclusão de operações de gestão de passivos, incluindo um empréstimo sindicalizado e uma emissão de debêntures, com o objetivo de alongar o prazo médio da dívida, diversificar fontes de financiamento e fortalecer a liquidez.
Mercados estratégicos sustentam perspectivas de recuperação
A Iochpe-Maxion destacou o desempenho positivo do mercado brasileiro de veículos leves, que ajudou a compensar a menor demanda por veículos comerciais. O crescimento dos volumes de rodas de alumínio e aço para automóveis, além da evolução das operações na Índia, foram apontados como fatores positivos no trimestre.
Na América do Norte, a companhia afirmou que segue avançando na recuperação do negócio de rodas de alumínio para veículos leves e identificou sinais de estabilização no segmento de veículos comerciais. Na Europa, o cenário permanece mais desafiador, com a produção de veículos leves pressionada em relação ao ano anterior.
Para o restante de 2026, a empresa mantém uma visão positiva para o segmento de veículos leves, principalmente pelas oportunidades associadas à expansão da produção local de montadoras chinesas na América do Sul. Ao mesmo tempo, segue cautelosa em relação à recuperação do mercado de veículos comerciais.
A companhia reforçou que continuará focada em disciplina operacional, geração de caixa, rentabilidade e controle financeiro para enfrentar o ambiente ainda desafiador do setor automotivo.






