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Iochpe-Maxion preserva lucro e reduz dívida em trimestre de pressão operacional

Iochpe-Maxion preserva lucro e reduz dívida em trimestre de pressão operacional

Companhia teve queda de 2,3% na receita e recuo de 7,3% no EBITDA, mas reduziu despesas, manteve lucro líquido estável e diminuiu dívida líquida no período

A Iochpe-Maxion (MYPK3) encerrou o segundo trimestre de 2026 em um ambiente de pressão sobre o setor automotivo global, marcado pela menor demanda por veículos comerciais, efeitos cambiais adversos e redução de volumes em alguns mercados. Mesmo diante desse cenário, a companhia conseguiu preservar o lucro líquido, reduzir despesas operacionais e avançar no controle do endividamento.

A fabricante de rodas e componentes automotivos registrou receita operacional líquida de R$ 4,01 bilhões entre abril e junho, uma queda de 2,3% na comparação com o segundo trimestre de 2025. No acumulado do primeiro semestre, a receita alcançou R$ 7,82 bilhões, recuo de 2,8% frente ao mesmo período do ano passado.

Segundo a companhia, o desempenho foi impactado principalmente pela menor demanda por veículos comerciais no Brasil e na América do Norte, além da valorização do real frente ao dólar, que reduziu o valor convertido das receitas internacionais. O efeito cambial negativo sobre a receita foi de R$ 333,5 milhões no trimestre e de R$ 484,3 milhões no semestre.

Os impactos foram parcialmente compensados pelo desempenho positivo do mercado brasileiro de veículos leves, que sustentou o crescimento dos volumes de rodas de alumínio e aço para automóveis, e pela evolução das operações na Ásia, especialmente na Índia.

O lucro bruto da companhia somou R$ 485,5 milhões no trimestre, com margem bruta de 12,1%, queda de 9,2% em relação ao segundo trimestre de 2025. No semestre, o lucro bruto ficou em R$ 927,1 milhões, com margem de 11,9%.

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A redução das margens ocorreu principalmente pela menor diluição dos custos fixos de produção em razão da queda dos volumes, especialmente no segmento de veículos comerciais. A empresa também destacou o efeito temporário da defasagem entre a variação dos custos das matérias-primas e o repasse desses aumentos aos preços de venda.

O EBITDA da Iochpe-Maxion atingiu R$ 417,5 milhões no 2T26, uma retração de 7,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem EBITDA ficou em 10,4%, contra 11% no 2T25. No primeiro semestre, o EBITDA totalizou R$ 774,5 milhões, com margem de 9,9%.

Apesar da pressão sobre a receita e as margens, a companhia conseguiu reduzir despesas operacionais. Os gastos com vendas, despesas gerais e administrativas e honorários da administração somaram R$ 213,8 milhões no trimestre, queda de 12,4% na comparação anual. A redução refletiu as iniciativas de controle de custos adotadas pela empresa e também o impacto cambial sobre despesas das operações internacionais.

O resultado operacional (EBIT) alcançou R$ 283,7 milhões no trimestre, queda de 7,5% em relação ao 2T25. No acumulado do semestre, o EBIT foi de R$ 502,5 milhões, redução de 4,1%.

O resultado financeiro negativo totalizou R$ 117 milhões no trimestre, uma melhora de 22,7% frente ao mesmo período do ano passado. Entre janeiro e junho, o resultado financeiro negativo foi de R$ 263,3 milhões, queda de 9,6% em relação ao primeiro semestre de 2025.

Com esse desempenho, a companhia registrou lucro líquido de R$ 86,9 milhões no segundo trimestre, praticamente estável em relação aos R$ 86,8 milhões obtidos um ano antes. O lucro por ação ficou em R$ 0,58001.

Endividamento recua e companhia reforça liquidez

A Iochpe-Maxion encerrou junho com posição de caixa e equivalentes de caixa de R$ 1,87 bilhão. A dívida bruta consolidada atingiu R$ 5,66 bilhões, enquanto a dívida líquida ficou em R$ 3,69 bilhões, uma redução de 0,9% em relação ao final de março e de 6,9% frente ao encerramento de 2025.

A alavancagem financeira terminou o segundo trimestre em 2,52 vezes o EBITDA dos últimos 12 meses. O indicador ficou acima dos 2,38 vezes registrados no mesmo período de 2025, mas abaixo dos 2,65 vezes observados no quarto trimestre de 2025.

Após o encerramento do trimestre, a companhia informou ter concluído operações de gestão de passivos, incluindo um empréstimo sindicalizado com prazo de quatro anos e uma emissão de debêntures no mercado brasileiro. Segundo a empresa, as operações contribuíram para alongar o prazo médio da dívida, diversificar fontes de financiamento e fortalecer a liquidez.

Recuperação de mercados e oportunidades de crescimento

Na América do Sul, a companhia destacou o bom desempenho do mercado brasileiro de veículos leves, que ajudou a compensar a menor demanda por veículos comerciais. Para os próximos meses, a empresa mantém uma perspectiva positiva para automóveis e picapes, incluindo oportunidades relacionadas à expansão da produção local de montadoras chinesas na região.

Na América do Norte, a Iochpe-Maxion afirmou que continua avançando na recuperação do negócio de rodas de alumínio para veículos leves e observou sinais de estabilização no segmento de veículos comerciais. A expectativa é de uma recuperação gradual, apoiada pelo aumento da utilização da capacidade instalada.

Na Europa, o cenário permaneceu mais desafiador, com a produção de veículos leves pressionada em relação ao ano anterior. Ainda assim, a companhia destacou desempenho superior ao mercado no segmento de veículos comerciais, apoiado por seu portfólio diversificado e relacionamento de longo prazo com montadoras.

A Ásia segue como um dos principais vetores de crescimento. A empresa ressaltou o desempenho da Índia, impulsionado pelo aumento dos volumes de mercado e pelo lançamento de novas plataformas de veículos nas quais a companhia participa.

O CEO da Iochpe-Maxion afirmou que a disciplina operacional e financeira foi fundamental para reduzir os efeitos do cenário adverso.

“Embora esse contexto permaneça desafiador, observamos sinais positivos em diversos mercados estratégicos para a Companhia. A disciplina operacional e financeira contribuiu para mitigar parte dos impactos decorrentes da menor atividade em determinados mercados e da pressão temporária sobre as margens, reforçando a resiliência de nosso modelo global de negócios.”

O executivo destacou que o mercado brasileiro de veículos leves continua sendo um dos principais pontos positivos para a companhia, enquanto o segmento de veículos comerciais exige uma postura mais cautelosa.

“Seguimos otimistas em relação ao segmento de veículos leves, incluindo as oportunidades associadas à crescente localização da produção de montadoras chinesas na América do Sul, enquanto permanecemos mais cautelosos quanto à evolução do mercado de veículos comerciais.”

Segundo o CEO, a companhia também observa oportunidades de crescimento na América do Norte e na Índia, mantendo o foco em geração de caixa e disciplina financeira.

“Com uma estrutura operacional flexível, um portfólio global diversificado, relacionamentos sólidos com clientes e foco contínuo em rentabilidade, geração de caixa e disciplina financeira, acreditamos que a Maxion permanece bem posicionada para gerar valor sustentável aos acionistas no médio e longo prazo.”

Ações refletem cenário desafiador

As ações ordinárias da Iochpe-Maxion (MYPK3) encerraram o segundo trimestre cotadas a R$ 9,02, queda de 1,3% no trimestre e de 32,4% nos últimos 12 meses.

A companhia terminou o período com valor de mercado de R$ 1,39 bilhão, abaixo dos R$ 2,05 bilhões registrados no segundo trimestre de 2025. O volume médio diário negociado na B3 foi de R$ 11 milhões no trimestre, com média de 3.739 negócios por dia.

Apesar da queda no valor de mercado, a companhia avalia que sua diversificação geográfica, relacionamento com grandes montadoras e foco em eficiência operacional mantêm a empresa preparada para capturar oportunidades com a retomada gradual dos mercados automotivos.