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FIIs e Dólar: Mudando o caminho, mas não o destino
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FIIs e Dólar: Mudando o caminho, mas não o destino

Foi mais ou menos assim que pensamos a principal mudança de alocação no guia Melhores Investimentos para 2026, atualizado para este segundo semestre

Quem dirige na cidade sabe que existe mais de um caminho para o mesmo lugar, e que a melhor rota de hoje raramente é a mesma de ontem. O destino segue igual, mas o que muda é por onde vale a pena ir.

Foi mais ou menos assim que pensamos a principal mudança de alocação no guia Melhores Investimentos para 2026, atualizado para este segundo semestre.

Reduzimos a parcela de fundos imobiliários nos perfis Moderado e Arrojado, de uma posição acima do neutro para o neutro, e levamos esse espaço para a parcela internacional, que subiu de 15% para 20% em todos os perfis.

À primeira vista, parece que ficamos pessimistas com o mercado imobiliário. Mas não é o caso… E vale explicar por quê.

Comecemos pelo destino. Boa parte do retorno que o investidor local espera para os próximos anos passa pelo mesmo evento: a queda das taxas de juros reais, hoje em um nível que consideramos alto demais para durar.

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Quando esse movimento chegar, uma característica pouco lembrada do mercado brasileiro entra em cena. As principais classes domésticas costumam se mover na mesma direção. Títulos indexados à inflação, ações e fundos imobiliários tendem a subir quando os juros cedem, porque todos são precificados trazendo fluxos futuros a valor presente.

Juro menor no denominador dessa conta resulta em preço maior hoje. O contrário também é verdadeiro: uma piora nas expectativas de juros domésticos afeta negativamente ações e fundos imobiliários de modo geral.

É por isso que os FIIs e a NTN-B reagem quase em conjunto. Um título público indexado ao IPCA e um fundo de tijolo parecem não ter nada em comum, mas respondem ao mesmo gatilho. Se o objetivo é estar posicionado para o ciclo de corte, existe mais de uma forma de chegar lá.

Por que reduzimos os FIIs?

O que motivou o ajuste foi o preço relativo. O prêmio que o FII paga sobre a NTN-B, medido pela diferença entre o dividend yield do IFIX e o cupom do Tesouro IPCA+, caiu para o menor nível dos últimos cinco anos. Esse prêmio é o quanto o investidor recebe a mais para carregar risco imobiliário no lugar de um título público. Quando ele diminui, parte da vantagem do tijolo também cai.

Do outro lado, a NTN-B ficou mais atraente. O juro real de longo prazo abriu para a casa de 7,5% a 8% ao ano, o que permite travar um elevado retorno acima da inflação pelos próximos anos, a depender do vencimento escolhido.

É um retorno real raro de ser encontrado.

Diferença entre o DY do IFIX e o cupom do Tesouro IPCA+

Aqui, no entanto, cabe um cuidado, para não passar a impressão errada.

Renda Fixa e fundo imobiliário não são a mesma coisa com outra roupa. A NTN-B captura o cenário de corte de juros, mas não tem uma vantagem que só o FII oferece.

Quando o prêmio sobre a NTN-B voltar a se comprimir ao longo do ciclo, o tijolo tende a ganhar em duas frentes: pela melhora dos aluguéis e da ocupação, e pela reprecificação das cotas na Bolsa.

É um ganho de capital que o título público não entrega da mesma forma, já que ele apenas antecipa o combinado no vencimento pela marcação a mercado.

Foi para preservar essa opcionalidade que reduzimos os FIIs para uma alocação neutra, após operarmos acima do neutro ao longo do último ano. A classe segue pagando bem enquanto o investidor espera. O dividend yield dos fundos de papel está perto de 13% ao ano e o dos fundos de tijolo perto de 10%, ambos acima de um desvio padrão da média histórica.

O investidor continua remunerado para manter a posição, com a chance de um ganho adicional guardada para quando o ciclo virar.

Relação P/VP (somente tijolo) e o cupom do Tesouro IPCA+

Por que aumentamos internacional?

Se a Renda Fixa leva ao mesmo destino da carteira doméstica, o internacional cumpre outra função. Ele é a rota que continua aberta quando a principal está muito conturbada.

Como as classes locais sobem e caem juntas, elas protegem pouco umas às outras. O dólar quebra esse padrão. Historicamente, ele anda na direção contrária aos ativos brasileiros: quando a Bolsa, os FIIs e os títulos longos sofrem, a moeda americana costuma subir.

Matriz de correlação dólar e ativos brasileiros (05/01/2011 a 25/06/2026, em variações diárias)

Há um ponto que amarra as duas pontas desta newsletter. O mesmo corte de juros que valoriza a NTN-B e os FIIs tende a enfraquecer o real. Quando a Selic cede, o país perde parte do carrego que atrai o capital estrangeiro, e a moeda costuma se depreciar.

O cenário que ajuda a parcela doméstica da carteira também joga a favor da parcela internacional. E, se o quadro for diferente, com a eleição pressionando os ativos locais e o dólar mais forte no mundo, é a posição no exterior que sustenta o resultado.

É uma alocação que trabalha a favor no cenário de corte e ainda serve de defesa caso o cenário local piore.

Vale lembrar que essa proteção não começa somente na sua carteira de investimentos. Boa parte do custo de vida de quem mora aqui já é dolarizada de forma indireta, de eletrônicos e combustíveis a remédios e alimentos importados.

Manter parte do patrimônio em moeda forte defende esse poder de compra antes de qualquer leitura de mercado. Com o câmbio a R$ 5,17, pouco abaixo da nossa projeção de R$ 5,20 para o ano, o ponto de entrada apenas melhora esse racional.

No fim, não trocamos de destino. Seguimos construtivos com os fundos imobiliários no médio e longo prazo, agora em uma posição neutra que preserva o ganho de capital lá na frente.

Para este momento, escolhemos um caminho com prêmio melhor na Renda Fixa e uma rota mais defensiva no exterior. Quando os juros virarem, a carteira estará posicionada para chegar ao mesmo lugar, por um percurso que hoje nos parece o mais indicado.

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