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Safra vê dados de crédito de julho como negativos e reforça alerta sobre a inadimplência

Safra vê dados de crédito de julho como negativos e reforça alerta sobre a inadimplência

Levantamento do Banco Central mostra desaceleração do crédito e piora da inadimplência em quase todos os segmentos, com destaque para consignado privado, cartões e agronegócio

O Banco Central (BC) divulgou na sexta-feira (28) os dados de crédito referentes a julho de 2026, e o Safra classificou o resultado como negativo. Para o banco, a leitura confirma um cenário de deterioração da qualidade dos ativos que já se espalha pela maioria dos segmentos do sistema financeiro.

O crescimento da carteira de crédito perdeu fôlego. O avanço foi de 9,5% em 12 meses, ante 9,7% em junho, enquanto o saldo total de crédito cresceu apenas 0,3% no mês. O crédito direcionado, ligado a programas do governo, subiu 12,8% em 12 meses, ritmo bem acima dos 7% do crédito livre.

“Em nossa visão, a divulgação foi negativa e reforça nossa leitura de estágio avançado do ciclo, com crescimento mais lento do crédito e deterioração adicional da qualidade dos ativos na maioria dos segmentos”, avaliou o Safra, em relatório assinado pelo analista Daniel Vaz.

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Crédito perde ritmo

Entre as pessoas físicas, a carteira avançou 0,8% no mês e 10,8% em 12 meses, ante 10,7% em junho. O consignado privado liderou o crescimento, com alta de 3,8% no mês, seguido pelos cartões de crédito, que subiram 2,4%, e pelo crédito imobiliário, com avanço de 1,3%.

Dentro dos cartões, a modalidade rotativa cresceu 2,5% no mês e 20,8% em 12 meses, ritmo que aponta para uma composição de carteira mais arriscada. Já as novas concessões de crédito rural recuaram 1% no mês.

Inadimplência preocupa

O índice de inadimplência acima de 90 dias do sistema subiu para 4,9%, com avanço de 30 pontos-base (bps) no mês. A deterioração ocorreu tanto na carteira de varejo quanto na corporativa, e as áreas de maior preocupação continuam sendo o consignado privado e o crédito ao consumidor sem garantia.

No consignado privado, a inadimplência já opera em patamar de dois dígitos, com alta de 130 bps no mês, para 10%. Entre as linhas sem garantia, o crédito pessoal também piorou 130 bps, e os cartões de crédito avançaram 40 bps. O rotativo teve o pior desempenho, com deterioração de 320 bps no mês.

“As tendências de inadimplência no crédito ao consumo continuam sugerindo que os benefícios do programa Desenrola permanecem limitados”, destacou o Safra.

No agronegócio, tanto a inadimplência inicial quanto os atrasos mais longos pioraram em julho. O índice acima de 90 dias avançou 130 bps, para 8,8%, puxado pelas linhas a taxas de mercado, que saltaram 240 bps, para 15,5%. A inadimplência entre 15 e 90 dias subiu de forma mais moderada, 12 bps, para 4%.

O Safra associa o movimento à queda nos índices de pagamentos em dia informada pelo Banco do Brasil na apresentação de resultados do segundo trimestre de 2026. Para o banco, esse sinal deve pressionar a qualidade dos ativos do agronegócio no terceiro trimestre de 2026, sem indícios de estabilização no curto prazo.

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Bancos mantêm cautela

No segmento corporativo, a inadimplência subiu 20 bps, para 4,2%, pressionada principalmente pelas pequenas e médias empresas, cuja taxa avançou 30 bps. As grandes companhias seguiram mais estáveis, em 0,8%, com alta de apenas 10 bps.

Mesmo com o risco maior, os spreads recuaram na margem. O spread total das novas operações caiu 10 bps, para 24,1%, e o das operações de varejo recuou 40 bps, para 45%. Já o spread corporativo subiu 10 bps, para 22%, e o custo do estoque de crédito (ICC) cedeu 5 bps, para 15,1%.

“Vemos a divulgação como negativa para o setor bancário, pois aponta para um ambiente progressivamente menos favorável ao crescimento e com pressão contínua sobre a qualidade dos ativos. Dessa forma, mantemos uma postura cautelosa em relação aos bancos”, resumiu o Safra.

A leitura do banco projeta o problema para os próximos meses. Consignado, cartões e agronegócio concentram hoje os piores indicadores, e a evolução da inadimplência nessas frentes deve funcionar como o principal termômetro para saber até onde vai a deterioração antes de um ponto de inflexão.