Home
Notícias
Economia
Ágora vê risco para Localiza e Movida com avanço dos carros chineses

Ágora vê risco para Localiza e Movida com avanço dos carros chineses

Maior risco é a chegada de elétricos chineses mais baratos, que pode levar a queda de preços aos hatches, parcela maior das frotas

A chegada de carros chineses com preços agressivos começou a derrubar o valor dos utilitários esportivos (SUVs) compactos usados no Brasil. Para a Ágora Investimentos, o movimento é negativo para as locadoras Localiza (RENT3) e Movida (MOVI3).

A análise da corretora parte de reportagem do Valor Econômico. Modelos tradicionais como Volkswagen T-Cross, Jeep Renegade e Hyundai Creta já aparecem em anúncios com descontos de até R$ 20 mil sobre a Tabela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

Esses carros também passam mais tempo parados nos estoques das lojas. A origem do problema está no mercado de zero-quilômetro.

“O aumento da oferta de veículos novos com preços agressivos obriga as montadoras tradicionais a conceder descontos e reduz o valor que consumidores e revendedores estão dispostos a pagar por seminovos equivalentes”, escreveram André Ferreira, do Bradesco BBI, e J. Ricardo Rosalen, da Ágora Investimentos.

Publicidade
Publicidade

Preço real cai mais rápido que a Fipe

A tabela de referência demora a captar a queda. No primeiro semestre de 2026, o preço negociado entre lojistas para carros com até três anos de uso recuou 9,3%, enquanto a Fipe caiu 2,4% no mesmo período.

Portanto, quem vende um seminovo hoje recebe menos do que a tabela sugere. A diferença mostra que a pressão chega primeiro às transações reais.

Os chineses, por outro lado, giram mais rápido na revenda que os concorrentes. No entanto, o indicador é favorecido pelo lançamento recente desses modelos e pela oferta ainda pequena no mercado de usados.

A conta chega às locadoras

O modelo de negócio de Localiza e Movida depende do valor do usado. As locadoras compram carros novos, alugam por um período e depois os revendem, de modo que o preço do seminovo define boa parte do retorno.

Com o usado valendo menos, o ganho na venda dos carros desmobilizados tende a encolher. Entretanto, o efeito não para aí e também atinge o balanço.

“A queda nos preços pode exigir despesas de depreciação maiores para ajustar o valor contábil das frotas aos preços de mercado”, apontaram André Ferreira, do Bradesco BBI, e J. Ricardo Rosalen, da Ágora Investimentos.

Hatches podem ser os próximos

Por enquanto, a pressão se concentra em veículos acima de R$ 120 mil. O impacto sobre os hatches compactos tradicionais ainda é limitado.

O quadro pode mudar com a chegada de novos elétricos chineses na faixa de R$ 110 mil a R$ 160 mil, como DFM Box e BAIC Arcfox T1. São modelos que disputam o mesmo consumidor dos carros mais baratos das frotas.

“O principal risco é que a pressão avance dos SUVs compactos para os hatches de menor valor, ampliando a parcela das frotas afetada”, alertaram André Ferreira, do Bradesco BBI, e J. Ricardo Rosalen, da Ágora Investimentos.