O governo federal estuda uma nova renegociação de dívidas para reduzir o endividamento das famílias e ampliar novamente o acesso ao crédito de consumidores negativados. Ao mesmo tempo, o Bolsa Família terá aumento de aproximadamente 15%.
Os dois movimentos foram destacados pelo BTG Pactual em relatório. O banco chama atenção para o cenário de inadimplência elevada e para os possíveis reflexos das medidas no ciclo de crédito brasileiro.
Renegociação de dívidas deve focar débitos antigos
A nova proposta de renegociação de dívidas deve priorizar obrigações antigas que ainda impedem consumidores de voltar ao mercado de crédito.
Segundo o relatório do BTG, a iniciativa está sendo preparada pela equipe econômica e deve ser apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O banco cita dados do Banco Central mencionados pela imprensa segundo os quais a inadimplência do consumidor chegou a 5,8% em julho. Trata-se do maior nível desde março de 2011.
O índice permanece elevado mesmo depois das duas etapas do Desenrola, que alcançaram cerca de 19 milhões de brasileiros.
Programa pode ter formato diferente do Desenrola
O modelo em estudo seria diferente das versões anteriores do Desenrola.
Uma das possibilidades é a realização de um leilão para facilitar a recompra de dívidas com descontos elevados. O foco estaria principalmente em débitos que bancos e prestadores de serviços têm pouca expectativa de recuperar.
Nesse desenho, o consumidor não precisaria acessar uma plataforma e aceitar individualmente uma proposta de renegociação de dívidas.
O governo também buscaria descontos maiores para reduzir o impacto do programa nas contas públicas.
Medida busca recuperar acesso ao crédito
O novo programa deve atender principalmente consumidores cuja renda e situação de emprego melhoraram, mas que continuam negativados por dívidas antigas.
Essas restrições dificultam o retorno dessas pessoas ao mercado de crédito, mesmo quando sua condição financeira já apresenta recuperação.
A iniciativa, portanto, procura atuar sobre uma parte do endividamento das famílias associada a débitos acumulados anteriormente, inclusive em períodos de juros elevados.
O relatório também destaca que, devido às diferenças em relação à primeira versão do programa, o governo pode decidir não utilizar novamente o nome Desenrola.
Bolsa Família terá reajuste de aproximadamente 15%
Além da discussão sobre dívidas, o BTG destacou o aumento de aproximadamente 15% no Bolsa Família.
Com o reajuste, o pagamento mínimo mensal passará de R$ 600 para R$ 691. Já o benefício médio deve subir para R$ 777.
Atualmente, o programa atende 19,29 milhões de famílias. Em setembro, segundo os números citados no relatório, o benefício médio ficou em R$ 678.
O governo afirma que a correção representa uma atualização pela inflação acumulada desde o início da atual administração, em 2023.
Reajuste terá impacto fiscal em 2026 e 2027
O aumento do Bolsa Família deve gerar impacto de R$ 5,8 bilhões nas contas públicas em 2026.
Para 2027, o custo estimado sobe para R$ 22 bilhões, segundo os números apresentados na análise do BTG.
O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que a medida será executada dentro das regras fiscais existentes e do espaço disponível no orçamento.
BTG monitora endividamento e ciclo de crédito
Para o BTG, os dois anúncios merecem atenção principalmente por ocorrerem em um cenário de elevado endividamento das famílias e preocupação com a qualidade do crédito.
A nova renegociação de dívidas pode alterar a situação de consumidores que continuam negativados por obrigações antigas, enquanto o reajuste do Bolsa Família aumenta a renda disponível para milhões de famílias.
O relatório não calcula um impacto direto dessas medidas sobre os resultados dos bancos. O BTG, porém, destaca que a evolução da inadimplência, da renda e do acesso ao crédito continua sendo um dos principais pontos de acompanhamento do setor bancário.






