A nova subvenção ao etanol hidratado anunciada pelo governo federal deve trazer benefícios relevantes para São Martinho (SMTO3) e Jalles Machado (JALL3), segundo avaliação do Bradesco BBI. Para os analistas, o mecanismo criado por meio do Decreto nº 13.119/26 fortalece a competitividade do biocombustível frente à gasolina e melhora as perspectivas operacionais das usinas nos próximos trimestres.
A medida estabelece uma subvenção extraordinária de R$ 0,2519 por litro de etanol hidratado comercializado por produtores e cooperativas que aderirem ao programa. O benefício entrou em vigor em 16 de setembro e tem duração inicial de 30 dias, podendo ser alterado ou encerrado pelo Ministério da Fazenda após os primeiros 15 dias, mediante aviso prévio.
De acordo com os analistas Henrique Brustolin e J. Ricardo Rosalen, o principal efeito imediato deve ser a redução do preço do etanol ao consumidor, sem aumento direto da remuneração das usinas.
“O subsídio deverá reduzir o preço do etanol hidratado, sem elevar diretamente o valor recebido pelos produtores, uma vez que o desconto será compensado posteriormente pelo governo”, afirmaram Brustolin e Rosalen.
Demanda mais forte
Na visão do Bradesco BBI, a queda dos preços nas bombas tende a estimular a migração dos consumidores da gasolina para o etanol. As estimativas apontam que a relação entre os preços dos dois combustíveis em São Paulo pode recuar dos atuais 59% para cerca de 56%, um patamar considerado historicamente baixo.
“Estimamos que a relação entre os preços do etanol e da gasolina possa atingir aproximadamente 56%, reforçando a atratividade econômica do biocombustível para os consumidores”, destacaram os analistas.
Com maior competitividade, a demanda adicional poderá ajudar a absorver parte da oferta excedente de etanol observada no mercado. Caso esse movimento se consolide, os preços do produto poderão encontrar suporte ao longo dos próximos meses, permitindo uma captura indireta dos ganhos econômicos pelas usinas.
Proteção estrutural
Além dos impactos de curto prazo, o banco avalia que o decreto representa um avanço institucional para o setor sucroenergético. O mecanismo funciona como uma proteção mais clara para os biocombustíveis em cenários de intervenção nos preços dos combustíveis fósseis, reduzindo parte da incerteza regulatória para os produtores.
“Embora a duração limitada do programa e a disponibilidade de recursos públicos sejam riscos relevantes, a combinação de demanda mais forte por etanol, preços de energia mais elevados e o novo mecanismo de proteção melhora as perspectivas para São Martinho e Jalles Machado”, escreveram os analistas do BBI.
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