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Ata do Copom reforça juros altos por tempo prolongado

Ata do Copom reforça juros altos por tempo prolongado

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou nesta terça-feira (5) a ata de sua última decisão de juros.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou nesta terça-feira (5) a ata de sua última decisão de juros, detalhando os motivos por trás da decisão e traçando um panorama de crescente preocupação com o cenário externo e a persistência da inflação acima da meta no Brasil.

Na última quarta-feira (30), o comitê decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. De acordo com o documento, a decisão de manter os juros elevados se baseia em um ambiente de “maior incerteza” e “expectativas de inflação desancoradas”, o que exige, segundo o Copom, uma política monetária “significativamente contracionista por um período bastante prolongado”.

A avaliação é que, apesar de sinais de moderação no crescimento da atividade econômica, a inflação segue resistente, especialmente nos preços de serviços.

Taxa Selic
Reprodução/EQI

Ata do Copom: Incerteza externa e tarifas dos EUA

No cenário internacional, o Copom destaca um ambiente mais adverso, influenciado pelas políticas fiscal e comercial dos Estados Unidos. A imposição de tarifas sobre produtos brasileiros por parte do governo americano foi citada como um fator de instabilidade com possíveis efeitos setoriais e de difícil mensuração para a economia como um todo. Esse quadro, afirma o Comitê, exige “cautela redobrada” por parte de países emergentes, como o Brasil.

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Inflação acima da meta e crédito desaquecido

No campo doméstico, os indicadores de inflação, tanto os cheios quanto os subjacentes, continuam pressionados e acima da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). As expectativas de inflação para 2025 e 2026, captadas pela pesquisa Focus, estão em 5,1% e 4,4%, respectivamente — ambas superiores ao centro da meta, de 3%.

Além disso, o mercado de crédito mostra sinais de desaceleração, com queda nas concessões, aumento das taxas de juros e inadimplência em alta. A renda das famílias está cada vez mais comprometida com o pagamento de dívidas, enquanto medidas recentes como o crédito consignado privado tiveram impacto menor do que o esperado, segundo avaliação do Copom.

Trabalho aquecido e consumo resiliente

Apesar do enfraquecimento do crédito, o mercado de trabalho permanece aquecido, com crescimento real da renda acima da produtividade e desemprego em níveis historicamente baixos. Essa combinação sustenta o consumo e ajuda a explicar a resiliência da demanda, o que dificulta a tarefa do Banco Central de reduzir a inflação.

Política fiscal pressiona Banco Central

O Copom também manifestou preocupação com a condução da política fiscal. O Comitê avalia que o enfraquecimento das reformas estruturais, o aumento de gastos e as incertezas sobre a trajetória da dívida pública elevam o risco-país e podem aumentar a chamada “taxa de juros neutra” — o patamar considerado ideal para manter a inflação sob controle sem prejudicar o crescimento.

A ata reforça que, em um cenário de expectativas de inflação desancoradas, será necessário manter os juros em níveis elevados por mais tempo do que seria o usual.

“Ambientes com expectativas desancoradas aumentam o custo de desinflação em termos de atividade”, diz o texto.

Projeções e riscos

As projeções do Copom apontam para uma inflação de 4,9% em 2025 e 3,6% em 2026, números ainda distantes da meta oficial. Para o primeiro trimestre de 2027 — horizonte considerado mais relevante —, a inflação prevista é de 3,4%, ainda ligeiramente acima do objetivo do Banco Central.

No balanço de riscos, o Comitê destacou ameaças tanto de alta quanto de baixa para a inflação. Entre os fatores de alta, estão a persistência da inflação de serviços, a desancoragem prolongada das expectativas e os efeitos negativos das políticas econômicas nacionais e internacionais. Entre os fatores de baixa, estão uma possível desaceleração mais forte da economia doméstica e global, além de uma queda nos preços das commodities.

Copom: Sinal de pausa, mas com vigilância

Com isso, o Copom optou por manter a Selic no patamar atual, mas deixou claro que seguirá “vigilante” e pode retomar o ciclo de alta dos juros, caso necessário. “Determinado o nível apropriado da taxa de juros, ela deve permanecer em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”, afirma o Comitê.

Todos os nove membros votaram pela manutenção da taxa em 15% ao ano. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, liderou a decisão, acompanhado por Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Vivan, Izabela Correa, Nilton David, Paulo Picchetti, Renato Gomes e Rodrigo Teixeira.

A próxima reunião do Copom está marcada para setembro, e o mercado acompanhará de perto os próximos indicadores econômicos para tentar antecipar os próximos passos da política monetária.

Para a EQI Asset, a Selic deve permanecer em 15% pelo menos até o segundo trimestre de 2026.