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Como o dólar impacta a economia? Saiba o que fazer no movimento da moeda

Como o dólar impacta a economia? Saiba o que fazer no movimento da moeda

Matheus Gagliano

Matheus Gagliano

24 Jun 2022 às 15:24 · Última atualização: 24 Jun 2022 · 5 min leitura

Matheus Gagliano

24 Jun 2022 às 15:24 · 5 min leitura
Última atualização: 24 Jun 2022

Imagem com dólares. O câmbio valorizado do Real no atual momento gera dúvidas sobre a volatilidade do cenário.

Divulgação

Como o dólar impacta a economia? Esta é uma boa pergunta que sempre surge em momentos como o atual, no qual a divisa norte-americana tem passado por uma grande oscilação. Houve momentos em que a moeda já esteve na casa dos US$ 4 e em outros, esteve acima de R$ 5. Essa diferença pode impactar diretamente em diversos aspectos da economia nacional.

Um dos primeiros impactos ocorre com relação aos setores exportadores e importadores da economia. Até o dia 23, a divisa norte-americana acumulava uma queda de 6,20%, ao passo que no acumulado de junho, a alta era de 10,05%.

Alexandre Viotto, head de câmbio e comércio exterior da EQI Investimentos, explicou que toda a cadeia de matérias-primas é afetada. Por isso, ele diz que acompanhar o câmbio não é uma tarefa fácil, envolvendo muitas variáveis.

“Quando o real se desvaloriza, por exemplo, toda a cadeia de commodities, como café, soja, além das metálicas como cobre e o zinco são afetadas”, diz ele.

Como o dólar impacta a economia: índices de desempenho

Viotto explicou que existem dois índices importantes que medem como está o real frente ao dólar. Estes também podem mostrar se determinado movimento, de queda ou de subida, é uma tendência ou somente um evento pontual.

O primeiro destes índices é o DXY. Trata-se de uma cesta de outras moedas com exceção da moeda norte-americana. Esta é composta por euro, iene, entre outros. Então, se o dólar cai, esta cesta tende a subir.

“E se o real acompanha o aumento do DXY, então significa que há uma valorização interna. Isso ocorre por meio de adoção de medidas econômicas amigáveis ao mercado, como a reforma tributária. Daí sabemos se tal movimento é uma tendência ou um evento pontual”, explicou ele.

Fonte: TradingView

O outro índice é o VIX, o chamado índice do medo. Este mede as volatilidades do preço das opções atreladas a ações e moedas negociadas na S&P 500, de Nova York. Isso significa que, quando o preço das opções sobe, o VIX acompanha esse movimento.

“Se o VIX sobe, a tendência é que o real perca valor e se desvalorize frente ao dólar”, explicou o head de câmbio e comércio exterior da EQI Investimentos.

E o índice CRB?

Sabe-se que o Brasil exporta produtos primários e importa industrializados. Entram nesse cenário produtos como café, soja, minério de ferro, petróleo e açúcar, entre os principais que são exportados. Juntos, estes itens correspondem a 70% das vendas externas do Brasil.

Se o preço destes produtos sobe, o país recebe mais dólares. Do contrário, entram menos dólares. É nesse cenário que entra o índice CRB, considerado por Viotto como o mais importante para acompanhar esse movimento da relação dólar e exportação de produtos.

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“Se o país depende de commodities para receber recursos do exterior, é de extrema importância sabermos como os preços desses itens se comportam no tempo. Isto influencia a vida de toda a população e até a cabeça dos eleitores”, explicou.

O executivo referiu-se que o CRB geralmente tem relação com as eleições. Ele explicou que, toda vez que houve uma valorização das commodities, o presidente conseguiu se reeleger ou então eleger um sucessor indicado por ele.

Como exemplo, o tombo do CRB, em meados de 2014 até 2016, resultou no impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Além disso, os momentos de melhor aprovação do mandato do presidente Jair Bolsonaro coincidem com o aumento das commodities.

“Na prática, eleição, reeleição ou taxa de aprovação dependem basicamente da cotação dos preços dos itens primários nos mercados internacionais. É uma teoria que se comprova com o tempo”, explicou ele.

Tá, e aí?

Viotto concluiu que, no mercado, há um ditado de que o dólar “sobe de elevador e desce de escada”. Assim, ele salienta que saber identificar as tendências pode ser a diferença entre muitos centavos ao comprar ou vender a moeda estrangeira.

“Seja uma empresa de grande porte ou mesmo para fazer uma viagem ao exterior, encontrar o melhor momento para fazer o câmbio é muito importante”, concluiu ele.

Quer saber mais sobre como o dólar impacta a economia e como investir melhor? Preencha o cadastro que um assessor da EQI Investimentos irá entrar em contato.

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