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De UCITS a fundos alternativos: Avenue faz novos produtos para o investidor brasileiro

De UCITS a fundos alternativos: Avenue faz novos produtos para o investidor brasileiro

Com a internacionalização das carteiras, Avenue expande a oferta de ETFs, fundos globais e ativos alternativos estruturados para atender às necessidades fiscais, de diversificação e de perfil do investidor brasileiro que investe no exterior

A expansão da prateleira de investimentos internacionais destinada a investidores brasileiros deixou de se limitar ao simples acesso a ativos no exterior.

Nos últimos anos, o avanço da internacionalização das carteiras passou a exigir produtos mais alinhados às necessidades específicas do investidor local, especialmente em aspectos como eficiência fiscal, diversificação entre classes de ativos e adequação ao perfil de risco.

Nesse contexto, plataformas globais passaram a ampliar a oferta para além das tradicionais ações americanas, incorporando ETFs internacionais, fundos globais e estratégias alternativas dentro de uma estrutura de alocação mais abrangente.

Em entrevista exclusiva ao portal EuQueroInvestir, o CEO da Avenue, Roberto Lee, afirmou que a ampliação da oferta de produtos internacionais acompanha a evolução da jornada do investidor brasileiro no exterior, que passou a demandar uma prateleira mais completa de soluções globais.

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A evolução do investidor brasileiro no exterior e a demanda por novas soluções

Segundo Lee, a internacionalização dos investimentos deixou de ser um movimento pontual e passou a ocupar um papel mais recorrente na construção patrimonial dos brasileiros. Com o aumento do interesse por ativos globais, a necessidade do investidor vai além da abertura de conta no exterior e passa a envolver uma estrutura mais diversificada de alocação.

“Os investidores brasileiros estão numa jornada inicial da descoberta internacional”, afirmou.

De acordo com o executivo, esse processo está relacionado não apenas à busca por retorno, mas também à preservação do poder de compra e ao acesso a ativos que não estão disponíveis no mercado doméstico. Nesse ambiente, a ampliação das opções de investimento internacionais surge como resposta à própria evolução do perfil do investidor brasileiro que passa a construir portfólios com exposição global.

Lee destacou ainda que a expansão da oferta de produtos seguiu o próprio estágio de maturidade desse investidor. Inicialmente concentrada em ações internacionais, a plataforma passou a incluir renda fixa, fundos de investimento e, mais recentemente, produtos alternativos como parte da estrutura de alocação.

“A gente começou somente com ações, depois anexou renda fixa via bonds, fundos de investimento e agora começa a ter essa plataforma de fundos alternativos”, explicou o executivo.

UCITS e ETFs irlandeses: eficiência fiscal e ampliação da exposição global

Entre os produtos incorporados à plataforma estão os ETFs irlandeses estruturados sob a regulação UCITS (Undertakings for Collective Investment in Transferable Securities), um padrão europeu amplamente utilizado por fundos negociados em bolsa com exposição global a diferentes mercados e ativos.

Esses veículos costumam ser domiciliados na Irlanda e listados em bolsas europeias, como Londres, permitindo que investidores tenham acesso a índices internacionais por meio de estruturas que, em muitos casos, acumulam os dividendos dentro do próprio fundo em vez de distribuí-los periodicamente.

Segundo Lee, a inclusão desses ETFs está associada, entre outros fatores, à eficiência tributária para investidores brasileiros que investem no exterior.

“ETFs constituídos na Irlanda têm um benefício fiscal enorme para quem é brasileiro”, destacou.

“Como eles não distribuem dividendos, eles acumulam lá dentro, criando um compound, juros sobre juros, que ao longo dos anos faz um impacto enorme nas carteiras dos investidores”, afirmou Lee.

O executivo também mencionou que a estrutura operacional foi desenvolvida para permitir o acesso dos clientes a mercados além dos Estados Unidos, como a bolsa de Londres, ampliando as possibilidades de exposição internacional.

Alternativos, curadoria e a ampliação da prateleira global

Além dos ETFs internacionais, a plataforma passou a incluir produtos alternativos globais, como estratégias ligadas a real estate, crédito privado e empresas não listadas, ampliando o conjunto de ativos disponíveis para alocação internacional.

“Quando a gente fala de alternativos, hoje a gente está falando de real estate, crédito privado e empresas não listadas”, disse Lee.

De acordo com o executivo, a procura por esse tipo de produto tem crescido à medida que investidores buscam maior diversificação fora dos instrumentos tradicionais, especialmente em carteiras com exposição internacional.

Lee ressaltou que muitos desses ativos possuem características específicas, como menor liquidez e maior nível de risco, o que exige adequação ao perfil do investidor.

“Esses são produtos que muitas vezes são ilíquidos, têm muito mais risco, então não é qualquer tipo de cliente que pode acessar”, explicou.

Segundo ele, a disponibilização desses produtos ocorre dentro de um processo de análise sobre a adequação das soluções aos diferentes perfis de clientes da plataforma.

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Expansão dos produtos internacionais e os próximos passos da plataforma

Na avaliação de Lee, a diversificação internacional tem se tornado um elemento cada vez mais presente nas decisões de alocação dos investidores brasileiros, especialmente em um cenário de maior complexidade dos mercados globais.

“Uma carteira moderna de investimentos não cabe mais no Brasil”, afirmou o executivo.

Ele acrescentou que a ampliação da prateleira internacional deve continuar ao longo dos próximos anos, com a inclusão de novas estratégias e produtos voltados à alocação global.

“Vamos ver muitos outros produtos alternativos entrando na prateleira, principalmente em 2026”, projetou.

Segundo Lee, esse movimento acompanha a evolução do investidor brasileiro que passa a considerar a diversificação internacional como parte estrutural de sua estratégia patrimonial, ampliando a demanda por produtos globais com estruturas mais alinhadas às suas necessidades fiscais, de risco e de alocação de longo prazo.