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Viveo gera caixa pela 1ª vez em um 1T26, mas prejuízo ajustado piora para R$ 35 mi

Viveo gera caixa pela 1ª vez em um 1T26, mas prejuízo ajustado piora para R$ 35 mi

Sexto aumento consecutivo de margem Ebitda e queda da alavancagem para 3,88x convivem com receita estável e despesa financeira maior

A Viveo (VVEO3) gerou fluxo de caixa livre positivo de R$ 45,5 milhões no primeiro trimestre de 2026, o primeiro resultado positivo da companhia em um primeiro trimestre desde sua abertura de capital.

A receita líquida ficou em R$ 2,832 bilhões, alta de 1,7% na comparação anual, mas o prejuízo líquido ajustado avançou para R$ 35,3 milhões, ante R$ 20,9 milhões no primeiro trimestre de 2025, pressionado pelas despesas financeiras.

O Ebitda ajustado consolidado totalizou R$ 208,1 milhões, crescimento de 30,4% sobre o primeiro trimestre de 2025, com margem Ebitda ajustada de 7,4%, expansão de 1,6 ponto percentual e sexto avanço consecutivo na comparação trimestral. A margem bruta chegou a 15,8%, ganho de 2 pontos percentuais, e atingiu o maior nível desde o segundo trimestre de 2023.

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Hospitais sustentam receita

A receita praticamente estável reflete uma combinação de fatores. O canal de Hospitais e Clínicas, que responde por cerca de 75% do faturamento, subiu 4,7%, para R$ 2.122,5 milhões, sustentado pelas renegociações de contratos feitas ao longo de 2025, melhora no mix de produtos vendidos e avanço nas linhas de medicamentos e materiais. O reajuste anual da CMED para 2026 ficou em 1,95%, o menor patamar em 20 anos, o que reduziu a antecipação típica de compras observada no primeiro trimestre.

“Mesmo em um trimestre de receita praticamente estável, observamos evolução relevante de Lucro Bruto, Ebitda, margens, ROIC e geração de caixa, refletindo uma Companhia mais disciplinada comercialmente, mais eficiente operacionalmente e mais focada em qualidade de resultado”, afirmou André Clark, diretor-presidente da Viveo, em mensagem que acompanha o release de resultados.

Os demais canais recuaram no trimestre. Laboratórios e Vacinas caiu 6,8%, para R$ 315,6 milhões, com Vacinas pressionada pela disponibilização de imunizantes no SUS, que reduziu a demanda do mercado privado atendido pela companhia.

O Varejo caiu 7,9%, para R$ 204,2 milhões, em razão do reposicionamento de preços e priorização de mix de maior margem. Já Serviços recuou 4%, para R$ 189,5 milhões, pressionada pelas operações de manipulação destinadas a oncologia.

Geração de caixa inédita

O fluxo de caixa livre positivo de R$ 45,5 milhões é descrito pela companhia como marco inédito para um primeiro trimestre, historicamente pressionado pela sazonalidade do capital de giro. O fluxo de caixa das atividades operacionais ficou em R$ 82,1 milhões, contra consumo de R$ 14,2 milhões no primeiro trimestre de 2025, sustentado pela geração de R$ 105,8 milhões em contas a receber, fruto da redução nos prazos médios de cobrança. O ciclo de caixa caiu de 59 para 54 dias na comparação anual.

“A desalavancagem financeira segue sendo uma das principais prioridades da Viveo. Este é um tema central para a Companhia e para o mercado, e seguimos conduzindo essa agenda com disciplina, responsabilidade e foco em geração sustentável de valor no longo prazo”, disse Clark.

A despeito da melhora operacional, o resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 172,9 milhões, piora de 70,5% sobre o primeiro trimestre de 2025.

A variação reflete principalmente a ausência do efeito positivo da recompra de debêntures registrada no período comparativo, o maior nível da Selic e o aumento dos juros sobre passivos de arrendamento, em função das renegociações de aluguéis ao longo de 2025.

O prejuízo líquido contábil ficou em R$ 57 milhões, praticamente estável em relação ao primeiro trimestre de 2025.

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Dívida e debenturistas

A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 2,883 bilhões, com alavancagem medida pela relação dívida líquida sobre Ebitda ajustado pro forma de 3,88x, o melhor patamar desde o terceiro trimestre de 2024 e dentro do covenant de 4x renegociado com os debenturistas para março de 2026.

Considerando o saldo de M&A a pagar de R$ 720,1 milhões, a alavancagem pro forma sobe para 4,77x. Ao final do trimestre, 71% da dívida estava no longo prazo, com prazo médio de 2,3 anos e custo médio de CDI mais 1,54%.

Em fato relevante divulgado na véspera, a Viveo convocou Assembleias Gerais de Debenturistas das 4ª, 5ª e 6ª emissões, marcadas para 8 de junho, para deliberar sobre a alteração do cronograma de amortização e vencimento dos papéis.

A ação VVEO3 encerrou o primeiro trimestre cotada a R$ 1,24, com valor de mercado de R$ 400,3 milhões, queda de 12,6% sobre o fim de 2025.