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Cyrela tem lucro 23% abaixo do consenso no primeiro trimestre e ações caem quase 4%

Cyrela tem lucro 23% abaixo do consenso no primeiro trimestre e ações caem quase 4%

Lucro da Cyrela veio 23% abaixo do consenso no primeiro trimestre, mas margens resistiram e retorno sobre o patrimônio líquido se manteve em 21,2%

A Cyrela (CYRE3) viu suas ações operarem em queda firme nesta sexta-feira (15), depois de divulgar resultados do primeiro trimestre de 2026 que ficaram aquém das estimativas do mercado.

Por volta das 10h38, os papéis caíam 3,93%, cotados a R$ 21,01, e tocavam a mínima de 52 semanas em R$ 20,20. A incorporadora reportou lucro líquido de R$ 297 milhões no período, 23% abaixo do consenso de analistas e 21% inferior à projeção do Bradesco BBI.

A receita líquida atingiu R$ 2 bilhões, com alta de 4% no comparativo anual e recuo de 37% na base trimestral, também aquém das expectativas, ficando 10% abaixo da estimativa do Bradesco BBI e 6% abaixo do consenso.

Em relatório enviado a clientes, o banco classificou os números como fracos e antecipou reação negativa do mercado, embora tenha destacado que as margens permaneceram resistentes e que o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) seguiu em patamar elevado.

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Margens resistem à pressão

A margem bruta da Cyrela atingiu 32,9% no primeiro trimestre, expansão de 0,4 ponto percentual na comparação anual e de 0,6 ponto percentual ante o quarto trimestre de 2025.

Já a margem bruta ajustada subiu para 36,1%, com avanço de 1,8 ponto percentual na base anual e de 2,4 pontos percentuais no comparativo trimestral. A margem a reconhecer, indicador que antecipa a rentabilidade dos projetos contratados, permaneceu estável em 36,0%.

Para o Bradesco BBI, o calendário do setor e a fraca atividade de lançamentos no início do ano ajudam a contextualizar a leitura mais negativa do resultado consolidado, abrindo perspectiva de melhora ao longo dos próximos trimestres.

“Apesar do resultado abaixo do esperado, destacamos que o primeiro semestre de 2026 tende a ser sazonalmente mais fraco e os lançamentos do trimestre foram particularmente pressionados, o que pode abrir espaço para aceleração ao longo dos próximos trimestres”, afirmaram os analistas no relatório.

Lançamentos em forte recuo

No lado operacional, os lançamentos somaram R$ 1,75 bilhão no trimestre, com queda de 48% na comparação anual e de 47% ante o quarto trimestre de 2025. As vendas líquidas, por sua vez, atingiram R$ 2,16 bilhões, alta de 2% no comparativo anual e baixa de 9% na base trimestral. A velocidade de vendas (VSO) ficou em 45,8% considerando os últimos doze meses.

Do lado das despesas, o número que mais chamou atenção foi o avanço dos gastos comerciais, que cresceram para R$ 277 milhões, alta de 38% na comparação anual, pressionando a rentabilidade do período. Em contrapartida, a dívida líquida recuou 6% no trimestre, para R$ 2,2 bilhões, e a alavancagem ficou em 19,6%, apoiada por geração de caixa de R$ 134 milhões.

Baixa renda sustenta lucro

A divisão por segmentos mostra desempenho expressivo no negócio voltado à baixa renda. Na operação Cyrela, a margem bruta foi de 32,0%; em Living mais Vivaz Prime, alcançou 30,6%; e no Minha Casa Minha Vida (MCMV), atingiu 36,9%, o maior patamar entre as frentes de atuação. O Bradesco BBI estima que esse segmento responda por cerca de 40% do resultado consolidado da incorporadora em 2026.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) dos últimos doze meses chegou a 21,2% no primeiro trimestre, com avanço de 0,3 ponto percentual na comparação anual e queda de 1,1 ponto percentual no trimestre. O patamar de rentabilidade é apontado pelo banco como o principal ponto positivo da tese de investimento, ao lado do mix de produtos da companhia.

“Seguimos vendo resiliência importante no segmento de baixa renda, que deve representar cerca de 40% dos resultados de 2026, além de um ROE ainda saudável em torno de 21%”, escreveram os analistas do Bradesco BBI.

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Risco para projeção

Para o banco, os números do trimestre acendem alerta sobre a estimativa de lucro líquido de R$ 2 bilhões da Cyrela em 2026. O Bradesco BBI indicou que pode haver revisão para baixo nessa projeção, mas pondera que o desempenho do segmento de baixa renda e a estrutura de margens preservadas tendem a oferecer proteção ao consolidado do ano.

No campo da valuation, a leitura é de que o ambiente de notícias negativas sobre a companhia deve continuar ditando o comportamento dos papéis no curto prazo, neutralizando os múltiplos descontados. A Cyrela negocia hoje a 0,8 vez o preço sobre valor patrimonial (P/VP) e 4,7 vezes o preço sobre lucro (P/L) estimado para 2026.

“No curto prazo, o momentum das ações tende a permanecer pressionado, refletindo o fluxo de notícias negativo, apesar de valuations atrativos”, apontou o banco no relatório.