O mercado está errado ao punir as BDRs do Nubank (ROXO34), avalia o Santander em um relatório enviado a clientes nesta sexta-feira (15). Os papeis têm queda de aproximadamente 34% em 2026, enquanto o índice de ações de bancos, o IFNC, tem valorização de 4% no mesmo período.
O banco apresentou nesta semana um lucro líquido de US$ 871 milhões no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 3% na passagem trimestral e alta de 56% na comparação anual, enquanto o ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio) ficou em 29%.
O lucro ficou 8% abaixo das estimativas do Santander, enquanto o Ebit (Lucro Antes de Juros e Impostos) ficou 17% menor.
“A queda nos resultados foi impulsionada por um forte aumento no custo do crédito”, explicam os analistas Henrique Navarro, Anahy Rios e Lorenzo Giglioli.
Lado positivo
Eles ponderam, contudo que a receita total aumentou 53% em comparação ao ano anterior (+6% na passagem trimestral), com a receita de juros subindo 56%.
“Além disso, o índice de eficiência melhorou para 17,6%, e o Nubank anunciou que o México atingiu o breakeven em março, um marco estratégico importante”, pontuam.
Ações
Segundo o relatório do Santander, o desempenho ruim das BDRs do banco é devido ao resultado abaixo do esperado em relação aos custos de crédito e às preocupações com a qualidade dos ativos.
“No entanto, acreditamos que os investidores podem estar superestimando a importância dos problemas de qualidade dos ativos, visto que a maior parte da deterioração foi, segundo a administração, sazonal, enquanto o restante reflete uma mudança deliberada para empréstimos sem garantia de maior risco, o que provavelmente levará a rendimentos de crédito mais fortes ao longo de 2026, em nossa opinião”, explicam Navarro, Rios e Giglioli.
Eles lembram, ainda, que considerando o atual valuation de preço sobre o lucro (P/L) para 2027, os ativos estão “atraentes”. O banco reitera a recomendação de compra.
Carteira
Além disso, o Santander ressalta que a carteira total cresceu 7% no trimestre e 40% no ano (câmbio neutro), impulsionada principalmente por empréstimos a pessoas físicas e seguida pela carteira de cartões de crédito.
“O índice de inadimplência de 15-90 dias aumentou 89 pontos-base no trimestre, para 5,0%, e o banco atribuiu uma parcela significativa dessa deterioração à sazonalidade, enquanto o restante refletiu uma mudança deliberada na composição da carteira para segmentos sem garantia (maior risco) e maior rendimento, onde modelos de subscrição aprimorados dão ao banco a confiança necessária para conceder o crédito”, ressaltam os analistas.
Por fim, como resultado, as provisões aumentaram 38% no trimestre, superando o crescimento da carteira e levando a um índice de cobertura mais alto, de 249% (versus 231% no final de 2025).
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