O mercado de veículos elétricos no Brasil segue em forte expansão, mas ainda enfrenta desafios estruturais ligados ao alto custo de aquisição e à limitação de acesso para grande parte dos consumidores. Apesar disso, os números mais recentes indicam aceleração significativa na adesão aos veículos elétricos no Brasil, com crescimento expressivo nas vendas e maior interesse do público.
De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), março de 2026 registrou 35.356 emplacamentos de veículos eletrificados, o maior volume mensal da série histórica. O resultado representa crescimento de 42% em relação a fevereiro (24.885) e alta de 146% na comparação com março de 2025 (14.380). No acumulado do primeiro trimestre, foram 83.947 emplacamentos, mais que o dobro (+110%) do registrado no mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizadas 39.924 unidades.
Apesar da expansão, o preço segue como principal barreira para a popularização dos veículos elétricos no Brasil. “Por mais que novas opções tenham surgido nos últimos anos, o valor de um carro 0 km ainda é muito alto para a grande maioria dos brasileiros. Modelos próximos de R$ 100 mil acabam inviabilizando a compra, levando muitos consumidores a considerarem apenas veículos seminovos, majoritariamente a combustão”, explica Mateus Sandmann Afonso, especialista em carros elétricos e criador do Eletricarbr.
Segundo ele, o comportamento do consumidor também começa a mudar de forma gradual. “Parte dos consumidores já considera o custo total ao longo do tempo, especialmente aqueles que utilizam o carro para longas distâncias. Ainda assim, a maioria segue focada no custo inicial de compra”, afirma.
Sandmann avalia que esse perfil ajuda a explicar quem já está migrando para os veículos elétricos no Brasil: consumidores mais atentos ao custo de propriedade e que realizam comparações entre gastos com combustível e energia elétrica, além daqueles que percorrem maiores distâncias.
Embora a sustentabilidade seja um dos principais motores da eletrificação em mercados mais maduros, no Brasil esse fator ainda tem peso secundário na decisão de compra.
Nesse contexto, as condições de pagamento ganham relevância na escolha do consumidor. “É a negociação financeira que define a compra. O valor das parcelas, a troca do veículo anterior e as condições oferecidas são fatores centrais na decisão”, destaca Sandmann.
Veículos elétricos no Brasil e o impacto das opções de crédito
O consórcio surge como uma alternativa em expansão nesse cenário. Sem cobrança de juros, o modelo é apontado como uma opção de planejamento financeiro. “O consórcio permite ao consumidor se organizar para a compra e escolher entre diferentes modelos, sem ficar preso às condições de financiamento oferecidas pelas montadoras”, afirma o especialista.
Dados do Klubi, única fintech autorizada pelo Banco Central a operar como administradora de consórcios no Brasil, indicam que 19% dos brasileiros já demonstram intenção de adquirir veículos elétricos, número considerado expressivo diante da ainda baixa participação desse tipo de automóvel na frota nacional.
“O consórcio se destaca como uma alternativa de planejamento financeiro, especialmente para quem quer evitar os juros elevados dos financiamentos tradicionais”, afirma Chelington Santos, especialista de consórcio do Klubi.
“Diferentemente do financiamento, o consórcio trabalha com uma taxa de administração diluída, o que pode resultar em um custo total mais baixo. Além disso, ao ser contemplado, o cliente tem acesso à carta de crédito para compra à vista, aumentando seu poder de negociação.”
Outro ponto destacado é a flexibilidade da modalidade, já que a carta de crédito permite a escolha de diferentes modelos dentro do valor contratado, incluindo seminovos, segmento que tende a crescer com a maturação do mercado.
“Ao permitir planejamento e compra à vista, o consórcio se torna uma ferramenta eficiente para viabilizar o acesso aos elétricos, especialmente no mercado de seminovos”, reforça Chelington.
Para os especialistas, a popularização dos veículos elétricos no Brasil ainda depende de fatores estruturais. “É preciso tempo de mercado para gerar confiança, além do aumento da oferta de veículos seminovos, que naturalmente chegam com preços mais acessíveis”, avalia Sandmann.
O especialista conclui que a eletrificação representa uma mudança mais ampla no setor automotivo. “Estamos falando de uma mudança no comportamento de consumo, nas cadeias produtivas e até nas políticas públicas. Nesse processo, soluções acessíveis de aquisição, como o consórcio, passam a ter um papel fundamental na transição energética e na modernização do setor automotivo brasileiro”, conclui.






