A versão enxuta agradou mais que o pacote completo. Bradesco BBI, XP Investimentos e BTG Pactual receberam bem o acordo final da SLC (SLCE3) com o Grupo Radar pelo “Bloco Mato Grosso”: em vez de comprar os 28,8 mil hectares por R$ 1,85 bilhão, como desenhado inicialmente, a companhia ficará com 8,9 mil hectares por R$ 669 milhões.
O valor inclui R$ 639 milhões pela terra nua — cerca de R$ 72 mil por hectare — e R$ 29,7 milhões por silos, uma unidade de beneficiamento de algodão e outras melhorias. O pagamento sai em duas parcelas: R$ 255 milhões na assinatura, depositados em conta-garantia, e R$ 414 milhões até 30 de outubro, com o negócio ainda sujeito ao aval do Cade.
Para o Bradesco BBI, que intitulou o relatório “Não é barato, mas é mais fácil de digerir”, a redução do tamanho é um alívio relativo.
“Isso não torna atraente o acordo final de R$ 669 milhões, mas reduz o ônus financeiro em relação ao cenário inicial”, escreveu o banco, que aponta preço 17% acima da média das terras da SLC e taxa de retorno implícita de apenas 2,8% — abaixo do custo de capital.
Nas contas do BBI, o consumo de caixa extra cai de R$ 217 milhões por ano, no cenário da compra total, para R$ 82 milhões. A alavancagem sobe 0,3 vez, para 2,9 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda no fim de 2026.
“Consideramos esse patamar relativamente alto — o que deve limitar o crescimento daqui para frente —, mas certamente administrável”, ponderou o banco, que mantém recomendação neutra por causa do risco de produtividade ligado ao El Niño.
A XP seguiu linha parecida.
“Vemos o acordo revisado como positivo em relação à proposta inicial, embora o timing continue desfavorável”, avaliou a corretora, destacando que o desembolso menor reduz a pressão sobre o balanço e que as terras compradas já estão integradas à operação — a SLC arrenda 17,6 mil hectares na região.
Alavancagem
Pelo modelo da XP, a alavancagem vai a 3,7 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda em 2026, ante 3,4 vezes antes do negócio — e bem abaixo das 4,1 vezes que a proposta cheia implicaria.
“Entendemos que a reação negativa inicial do mercado ao deal já foi absorvida pela ação, o que nos leva a esperar uma sessão positiva para o papel”, projetou a casa.
O BTG foi quem colocou o maior número na mesa. Pelas contas do banco, o impacto anual na geração de caixa cai de R$ 200 milhões, no desenho original, para R$ 70 milhões — melhora de R$ 120 milhões por ano que, trazida a valor presente, equivale a R$ 1,2 bilhão, ou perto de 20% do valor de mercado da SLC.
O banco também explicou por que não rebaixou o papel, mesmo com a ação machucada por commodities fracas, juros altos e temor de um El Niño forte na safra 2026/27. “Após a queda de quase 35% desde o pico, temos dificuldade em enxergar o que mais poderia dar errado daqui em diante”, escreveu o BTG.
Barata, no entanto, a ação ainda não está: negocia perto de 20 vezes o lucro estimado para 2027, múltiplo que exige juros menores, custos em queda ou produtividade maior para se justificar.
Ainda assim, o tom é de virada à vista: “acreditamos que o risco-retorno está cada vez mais assimétrico para cima”, concluiu o banco, no horizonte de 12 meses.
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