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Mercado Livre: Por que as ações estão caindo 10%?

Mercado Livre: Por que as ações estão caindo 10%?

Resultados do 4T25 vieram com forte crescimento de receita e GMV, mas pressão nas margens — fruto da estratégia de ganhar escala e participação de mercado — explica a reação negativa do mercado

As ações do Mercado Livre (MELI; MELI34) operam em forte queda após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, com o mercado sendo mais cauteloso com a companhia devido a rentabilidade de curto prazo.

Por volta das 15h50, os papéis recuavam cerca de 7,77% na Nasdaq, enquanto os BDRs MELI34 caíam 8,75%, após já terem registrado perdas superiores a 10% no pregão brasileiro.

O movimento mais intenso dos recibos no Brasil também é influenciado pelo câmbio, já que a queda do dólar — de aproximadamente 0,46%, cotado a R$ 5,1299 no mesmo horário — tende a ampliar o ajuste negativo dos BDRs, mesmo quando a correção do papel no exterior é menor.

Apesar da reação negativa do mercado, o resultado em si não foi fraco em termos operacionais.

O principal fator por trás da queda das ações parece estar ligado à decisão da companhia de priorizar ganho de participação de mercado e escala, ainda que isso implique compressão de margens no curto prazo, avaliação que é compartilhada por casas como Ativa Research, Safra e XP.

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Resultados do Mercado Livre: Crescimento forte em receita e operação, mas com rentabilidade abaixo do esperado

O resultado do 4T25 trouxe números robustos do ponto de vista operacional, com forte expansão de receita, GMV e volume transacionado, reforçando a liderança do Mercado Livre no e-commerce e na fintech na América Latina. A Ativa destaca que a receita total cresceu 45% na base anual, alcançando US$ 8,8 bilhões, com GMV avançando 37% e TPV subindo 42% no período.

Além disso, a companhia seguiu apresentando evolução consistente em métricas-chave, como aumento de 43% no volume de itens vendidos, crescimento de 70% em Ads e expansão de 90% da carteira de crédito, mesmo com níveis de inadimplência considerados saudáveis.

“Por outro lado, a margem operacional ficou em 10,1% (vs. 10,5% estimado), -3,3 p.p. YoY, devido às despesas em sales e outros investimentos para ganho de escala, que, inclusive, foi um ponto importante neste resultado e acreditamos ser o motivo das ações operarem em baixa no after market dos EUA após a divulgação”, afirma a Ativa Research.

Estratégia de ganhar participação de mercado veio “a um custo”

A leitura do Safra vai na mesma direção ao apontar que o crescimento continuou sólido, mas acompanhado de maior pressão sobre as margens, sobretudo no segmento de e-commerce. Segundo o banco, a companhia manteve uma postura comercial mais agressiva para sustentar a expansão do GMV e da base de usuários.

“O EBIT abaixo do esperado ocorreu porque a empresa manteve sua estratégia de ganhar participação no mercado de e-commerce, o que pressionou a margem mais do que o previsto devido a uma redução no valor mínimo para frete grátis e menores cobranças de frete para vendedores”, destaca o Safra.

O banco ressalta ainda que o avanço do e-commerce foi impulsionado pela ampliação do frete grátis no Brasil e pela aceleração do modelo 1P, principalmente na categoria de eletrônicos, o que compensou a queda do tíquete médio e a leve redução da take rate. Ainda assim, essa estratégia comercial mais competitiva impactou negativamente a rentabilidade do trimestre.

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Investimentos estratégicos e provisões também pressionaram o EBIT

A XP reforça que o resultado misto — com forte crescimento de receita, mas EBIT abaixo das expectativas — está ligado ao aumento dos investimentos estratégicos de longo prazo, especialmente em marketing, crédito, logística e expansão da plataforma.

“Destacamos que cerca de 2/3 do desvio negativo de EBIT veio de maiores provisões decorrentes da aceleração da carteira de crédito, além de maiores despesas de marketing e investimentos estratégicos, o que vemos como um efeito negativo de curto prazo, porém sustentado por métricas operacionais saudáveis”, avaliam os analistas da XP.

A casa também observa que a margem EBIT foi pressionada por iniciativas como frete mais competitivo, expansão do crédito, fortalecimento do programa de afiliados e investimentos em fulfillment, enquanto a companhia segue priorizando retenção de usuários, frequência de compra e crescimento da base de assinantes do MELI+.

Por outro lado, os fundamentos estruturais permanecem sólidos. O Safra destaca o desempenho da operação de fintech como principal destaque do trimestre, com receita de US$ 3,8 bilhões (+51% a/a), impulsionada pelo crescimento do TPV e pela expansão da carteira de crédito, que avançou 90% na comparação anual, com indicadores de risco ainda controlados.