O setor de locação de veículos é um dos mais rentáveis do Brasil, com grandes empresas como Localiza (RENT3) e Movida (MOVI3) dominando o mercado. Segundo a Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA), a atividade tem apresentado crescimento sustentável com eficiência operacional, influenciando a indústria automotiva, o turismo e a mobilidade.
Esse ambiente ajuda a explicar por que empreender em locação de veículos pode parecer uma oportunidade natural. Ainda há espaço para expansão em cidades e regiões nas quais as gigantes do setor têm menor presença, o que abre caminho para operadores menores e modelos de franquia entrar em jogo.
No entanto, por trás da demanda por aluguel de carros, terceirização de frota e serviços corporativos, o setor impõe uma equação mais complexa, que combina capital intensivo, acesso a crédito e execução operacional.
Em entrevista exclusiva ao portal EuQueroInvestir, Lívia Villar, CEO da LocarX, afirma que a abertura de uma nova unidade em Blumenau ajuda a traduzir essa tese. Mais do que marcar presença em uma praça com potencial, o movimento indica a estratégia da companhia de crescer por meio de franquias em um segmento que, segundo a executiva, exige muito mais do que demanda e carros disponíveis.
O ponto de partida, diz a CEO, é entender que a locação de veículos depende de um equilíbrio delicado entre investimento na compra dos carros e desmobilização da frota, com a venda desses ativos no momento correto. Nesse tipo de operação, a renovação precisa ser constante.
Lívia afirma que a idade média de um veículo disponível em locadora gira em torno de 15 meses, o que aumenta a necessidade de planejamento financeiro e disciplina na execução.
“Pela característica do negócio, é preciso encontrar o equilíbrio entre investimento em ativos e a chamada desmobilização da frota. A frota precisa estar sempre renovada, e qualquer erro na gestão ou estratégia pode comprometer o futuro da locadora”, afirma Villar.
O perfil do franqueado
A avaliação ajuda a explicar por que a empresa tenta atrair, para sua rede, franqueados com perfil de gestão, vindos ou não do setor de mobilidade. Segundo a executiva, empresários de outras áreas e até investidores do mercado financeiro podem se destacar nesse modelo, desde que tenham estrutura de capital e capacidade de acompanhar de perto a operação.
“O envolvimento do dono no negócio também é um diferencial. Mesmo quando há equipe local, o acompanhamento próximo da operação, dos indicadores e da gestão faz diferença direta no desempenho e na consolidação da unidade”, destaca a CEO da LocarX.
Para a companhia, isso significa que a franquia não deve ser vista como uma aposta passiva. O negócio exige leitura de mercado, disciplina comercial, atenção ao comportamento da frota e controle financeiro constante.
O que pesa na operação de uma locadora:
- capital para formar e renovar a frota
- acesso a crédito
- ocupação dos veículos
- momento correto de vender os carros
- análise de crédito dos clientes
- controle de inadimplência
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Riscos, operação e expansão
A executiva afirma que as principais barreiras de entrada estão no capital necessário para formar a frota, no acesso a crédito e na própria complexidade da operação. Do lado do risco, ela cita problemas que vão da compra equivocada de veículos à baixa ocupação, passando por erros na venda dos carros, falhas na análise de crédito dos clientes e inadimplência.
“Os maiores riscos estão ligados à má gestão da frota, como compra equivocada, baixa ocupação ou erro na venda dos veículos, além de falhas na análise de crédito dos clientes e controle de inadimplência”, afirma Villar.
Segundo ela, uma estrutura de franquia sólida ajuda a reduzir esses riscos ao oferecer suporte estratégico e operacional ao franqueado.
É nesse contexto que Blumenau entra na estratégia da LocarX. De acordo com a CEO, a cidade foi escolhida pelo crescimento da construção civil, pelo dinamismo econômico da região e pela frequência de eventos, fatores que ampliam o leque de clientes potenciais.
Na leitura da companhia, a nova unidade funciona como um caso concreto de como a expansão por franquias pode capturar uma demanda diversificada. Em uma praça com atividade empresarial expressiva e calendário econômico ativo, a aposta é atender de empresas e profissionais a turistas e clientes de locação por assinatura.

Para 2026, a CEO vê continuidade na expansão do mercado, apoiada no que classifica como uma cultura ainda incipiente do carro alugado no Brasil, tanto no turismo quanto no segmento corporativo e na terceirização de frota.
“O mercado seguirá em expansão”, afirma Lívia Villar. Para a executiva, a rede busca combinar força nacional com execução local.






