Apesar da Klabin (KLBN11) despencar mais de 10% em 2026, a EQI Research manteve a recomedação de compra da ação. Além disso, a casa ainda enxerga um potencial de alta de 42% até o preço-alvo de R$ 24, considerando também o dividend yield estimado em 4,9% para 2026.
A análise da fabricante de papel e celulose é o destaque da edição de maio da carteira recomendada Mais Dividendos com Ações, divulgada na última segunda-feira (11) pelos analistas João Zanott, João Neves e Nícolas Merola, que mantiveram os 12 nomes do portfólio inalterados.
Os analistas destacaram que a Klabin atravessa um momento desafiador, pressionada por dois vetores macroeconômicos fora do controle da própria empresa:
- a apreciação do real frente ao dólar e
- os preços internacionais da celulose, que seguem operando em patamares deprimidos.
Há ainda pressão em algumas linhas de custo, o que vem comprimindo a margem operacional da fabricante.
Carteira mais Dividendos da EQI Researh: Pilares da tese
A casa atualizou as projeções financeiras da Klabin com novas premissas operacionais e macroeconômicas. Diante do ciclo adverso, a EQI Research projeta recuperação gradual das margens da companhia a partir de 2027 e geração de caixa robusta para sustentar a tese de investimento.
“Mesmo sob premissas conservadoras para os preços da commodity, enxergamos Klabin negociando a níveis atrativos de valuation, além de apresentar potencial relevante de expansão na distribuição de dividendos nos próximos anos, à medida que os fatores mencionados se normalizem”, apontam Zanott, Neves e Merola.
Um dos sustentos da recomendação é o modelo verticalizado da Klabin. A companhia atua tanto na produção de celulose quanto na conversão da matéria-prima em papel e embalagens, o que proporciona vantagens competitivas ao longo da cadeia produtiva.
A EQI Research destaca que a empresa tem uma das bases florestais mais produtivas do mundo, tanto para pinus quanto para eucalipto, o que coloca a fabricante entre as produtoras de menor custo do setor.
A geração de caixa também ampara a recomendação. Em 2026, o rendimento do fluxo de caixa livre para o acionista, conhecido como FCFE yield, deve representar cerca de 9% do valor de mercado da companhia, percentual que avança para 13,6% em 2027, impulsionado pela queda no volume de investimentos requeridos.
A base de terras produtivas aparece como respaldo adicional de valor. A Klabin possui aproximadamente 911 mil hectares de florestas, sendo cerca de 669 mil hectares de áreas próprias, distribuídas majoritariamente em estados com terras agrícolas valorizadas, como Paraná e Santa Catarina. A casa também menciona o Projeto Plateau, estruturado em parceria com TIMOs (Timber Investment Management Organizations), como movimento recente de monetização de ativos com manutenção de contratos de longo prazo para uso das florestas.
“O patrimônio florestal da companhia representa uma importante fonte de valor intrínseco, sustentada por ativos reais de elevada qualidade. Em um setor intensivo em capital e de ciclo longo, possuir uma base florestal própria garante maior previsibilidade de custos, segurança no abastecimento de madeira e flexibilidade operacional”, afirma a EQI Research.
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Carteira e proventos
No mês de abril, o portfólio registrou queda de 6,15% e ficou à frente do índice de dividendos da B3, o IDIV, que caiu 7% no período, gerando alfa de 0,85 ponto percentual. O Ibovespa recuou 5,65%. Desde o início, em abril de 2024, a MDA acumula valorização de 63,5%, contra 43,9% do IDIV e 29,1% do CDI no mesmo intervalo.
Em termos setoriais, as maiores fatias estão em elétricas, com 30%, e financeiras, com 25%. Petróleo aparece com 15%, papel e celulose e saúde têm 10% cada, e shoppings e varejo dividem os 10% restantes do portfólio. A composição combina exposição a setores defensivos e a empresas tradicionalmente boas pagadoras de proventos.
O relatório também atualizou o calendário de dividendos. Abril foi um mês de pagamentos modestos, com destaque para os R$ 0,02 por ação de Bradesco (BBDC4) e os R$ 0,29 de Allos (ALOS3). Os próximos meses devem concentrar distribuições maiores, com Petrobras (PETR4) prevista para pagar R$ 0,32 em maio e junho e R$ 0,94 em novembro, segundo as estimativas da casa.
Sobre o portfólio, a EQI Research avalia que o processo de rotação realizado nos últimos meses está concluído. As mudanças incluíram a entrada de Vulcabras (VULC3) e PetroReconcavo (RECV3) e a redução de exposição em Itaúsa (ITSA4) e Axia (AXIA6), que continuam na carteira com pesos menores.
“Os 12 nomes selecionados oferecem, em conjunto, uma combinação atrativa entre geração de caixa, potencial de valorização e distribuição de dividendos”, justificam os analistas, em referência ao alinhamento entre a composição atual e a proposta da carteira de investir em empresas resilientes e capazes de remunerar acionistas ao longo do tempo.






