O Ibovespa operava em queda de 0,47% e os juros futuros subiam ao longo de toda a curva nesta terça-feira (12) após a divulgação do IPCA de abril. O índice oficial de preços avançou 0,67% no mês, em linha com a expectativa do mercado, mas a composição mostrou pressões inflacionárias mais disseminadas nos núcleos pesou no humor dos investidores.
Por volta das 10h20, o principal índice da B3 cedia para 181.051 pontos. No mercado de juros, o DI para janeiro de 2027 subia 0,32% para 14,15%, enquanto o vencimento de janeiro de 2028 avançava 0,47% para 13,83%. O dólar, por sua vez, recuava 0,14% para R$ 4,88.
Curva em abertura
O movimento refletiu o reposicionamento do mercado para um cenário em que o Banco Central pode precisar manter a Selic em patamar elevado por mais tempo. As maiores variações foram observadas nos vencimentos intermediários, mais sensíveis às expectativas para a política monetária.
O DI para outubro de 2027 avançava 0,43% para 13,93%, e o vencimento de novembro do mesmo ano subia 0,61% para 13,92%. Já o DI para janeiro de 2029 era negociado a 13,75%, com alta de 0,40%, enquanto a ponta mais longa, representada pelo DI para janeiro de 2031, subia 0,33% para 13,81%.
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Núcleos em foco
A análise da EQI Investimentos reforçou o tom cauteloso. Em flash note assinado pelo economista-chefe Stephan Kautz e pelo economista Igor Cadilhac, a casa observou que o número cheio do IPCA não traduz a deterioração que vem se acumulando na composição.
“Do ponto de vista qualitativo, o resultado foi pior. A dinâmica dos núcleos tem mostrado uma deterioração cada vez mais disseminada. Apesar da apreciação cambial, chama atenção a piora nos bens industriais, possivelmente associada ao fim do processo de ‘inflação exportada’ pela China”, apontaram Kautz e Cadilhac.
A alta de abril foi impulsionada principalmente pela gasolina (1,86%), pela alimentação no domicílio (1,64%) e pelos produtos farmacêuticos (1,77%), com pressões ligadas a tensões no Oriente Médio, fatores sazonais e o reajuste anual dos medicamentos. Na contramão, as passagens aéreas registraram queda de 14,45%.
No acumulado em 12 meses, a inflação oficial passou de 4,14% para 4,39%. A média dos núcleos, indicador menos sensível a movimentos pontuais, permaneceu praticamente estável, em 4,37%.
“Em linhas gerais, o resultado continua indicando pressões inflacionárias mais disseminadas e uma composição ainda persistentemente menos benigna. Seguimos avaliando que o processo de convergência da inflação à meta tende a ser mais gradual, exigindo um juros terminal elevado”, concluíram os economistas da EQI.






