A Klabin (KLBN11) trocou um dos endereços mais caros da Faria Lima por um espaço mais amplo e mais barato na mesma avenida — e o movimento não passou despercebido pelo mercado imobiliário corporativo.
A companhia de papel e embalagens deixou o Faria Lima Square, no trecho nobre próximo ao cruzamento com a Avenida JK, onde ocupava 5,4 mil metros quadrados a cerca de R$ 340 por metro quadrado.
O destino foi o Faria Lima Plaza, edifício triple A entregue em 2021 e localizado perto do Largo da Batata, onde a Klabin passou a ocupar 7,4 mil metros quadrados com preço pedido de R$ 240 por metro quadrado — economia de aproximadamente 30% no custo mensal de locação.
Tendência além da Klabin
Para os analistas Renato Chanes, Wellington Lourenço e Larissa Monte, do Bradesco BBI, o episódio vai além de uma decisão isolada.
“A notícia reforça a nossa percepção de que empresas não financeiras estão deixando a área mais nobre da avenida, dado que, para os seus negócios, não é essencial estar no trecho.”
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A lógica é clara: estar no coração da Faria Lima é indispensável para bancos, gestoras e corretoras — que dependem da proximidade com o ecossistema de mercado de capitais. Para empresas de outros setores, contudo, o custo elevado deixou de se justificar.
Ainda assim, essas companhias optam por permanecer na região — seja no trecho mais acessível da própria Faria Lima ou em eixos adjacentes — para preservar a proximidade com o setor financeiro.
Rebouças se beneficia
O movimento tem um efeito colateral positivo para quem aposta no eixo Paulista e Rebouças.
“Esse tipo de movimentação para a região mais próxima da Rebouças deve impulsionar os preços da avenida e suas adjacências”, avaliam os analistas.
A região já opera com vacância zero e preços de locação em torno de R$ 165 por metro quadrado — patamar que tende a subir com a pressão da demanda.
“Isso corrobora a nossa preferência pelo eixo Paulista e Rebouças”, concluem Chanes, Lourenço e Monte — reforçando a tese que o banco vem construindo sobre a próxima fronteira do mercado de lajes corporativas em São Paulo.

Master devolve 22 mil m² em São Paulo
Em outra movimentaçã, o Banco Master desocupou cerca de 14 mil metros quadrados no edifício Auri Plaza Faria Lima, na Vila Olímpia — ativo raro pelo porte, escasso no mercado paulistano atual. O banco pagava aproximadamente R$ 2,9 milhões por mês de aluguel pelo espaço.
Ao todo, o Master devolve 22 mil metros quadrados em São Paulo, incluindo 4,4 mil m² no Pátio Malzoni e 2,9 mil m² no B32, segundo dados da Newmark.
Apesar do volume expressivo, o mercado já sinalizou interesse. Duas empresas do setor financeiro estão em conversas para assumir o Auri Plaza como único inquilino.
“Um ativo acima de 10 mil m² na micro-região tende a encontrar um mercado mais preparado para absorção”, avalia a Newmark.
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