Home
Notícias
Ações
Klabin: Veja o que o mercado achou do resultado

Klabin: Veja o que o mercado achou do resultado

Manutenção programada em Monte Alegre e consumo de capital de giro de R$ 433 milhões pesaram no resultado, mantendo alavancagem estável em 3,3 vezes o Ebitda em dólar

A Klabin (KLBN11) reportou Ebitda de R$ 1,7 bilhão no primeiro trimestre de 2026, em linha com as estimativas do BTG Pactual, mas com queda de 9% na comparação trimestral e de 10% na comparação anual.

O fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE) foi negativo em R$ 126 milhões, e a alavancagem permaneceu estável e elevada, em 3,3 vezes o Ebitda em dólar. O relatório é assinado pelos analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, que mantêm recomendação neutra para o papel.

Venda de terras mascara miss operacional

Um detalhe importante para a leitura do resultado é a presença de R$ 64 milhões provenientes da venda de terras produtivas, que sustentou o Ebitda reportado.

“Ajustando para esse efeito, o Ebitda teria ficado cerca de 5% abaixo das nossas estimativas”, alertam Correa, Arazi e Gotardo.

O resultado operacional também foi afetado pela manutenção programada na unidade de Monte Alegre, que pressionou tanto volumes quanto custos no período. O custo caixa total chegou a R$ 3.342 por tonelada, alta de 1% no trimestre e 6% acima das projeções do BTG.

Publicidade
Publicidade

Volumes batem, mas preços de celulose decepcionam

Do lado positivo, os volumes apresentaram desempenho robusto.

Os embarques totais excluindo madeira chegaram a 1,016 milhão de toneladas, 6% acima das estimativas e crescimento de 12% no ano, “refletindo crescimento de volume em todos os segmentos, sustentado pela estabilidade operacional e pelo contínuo ramp-up das máquinas PM27 e PM28”, destacam os analistas.

A celulose totalizou 401 mil toneladas, 8% acima do esperado. No entanto, a receita líquida por tonelada de celulose ficou em US$ 668, valor 5% abaixo das projeções, refletindo realizações mais fracas nas fibras longas e fluff.

“A celulose ficou pressionada por dinâmica de preços mais fraca e excesso de capacidade global”, observam os analistas.

Desalavancagem lenta

O consumo de capital de giro de R$ 433 milhões foi o principal fator por trás do fluxo de caixa negativo no trimestre, impedindo qualquer avanço relevante na desalavancagem.

“O FCF foi negativo no trimestre, impactado por maior capex e consumo de capital de giro, levando a uma dívida líquida sobre Ebitda estável e ainda elevada de 3,3 vezes”, detalham Correa, Arazi e Gotardo.

Para o BTG, o resultado apenas reforça uma visão já estabelecida. “Vemos os resultados como neutros para a tese de investimento, pois apenas reforçam nossa visão de momentum de lucros contido em meio a condições de mercado desafiadoras, pressionadas por um real mais forte”, concluem os analistas.

Com o papel negociando a 6,7 vezes o Ebitda estimado para 2026, prêmio frente aos pares, e sem catalisadores claros no horizonte, o BTG segue neutro para KLBN11.

Leia também: