As ações da Petrobras (PETR3; PETR4)operam em queda nesta terça-feira (12) após a divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2026, que frustrou as expectativas do mercado.
O EBITDA da estatal veio em US$ 11,7 bilhões — 10% abaixo das estimativas do BTG Pactual e do consenso —, e os papéis PETR4 refletem a decepção dos investidores com o resultado operacional. Ainda assim, o banco mantém a recomendação de compra e enxerga o tropeço como pontual.
Atraso na precificação do petróleo
O principal responsável pelo resultado abaixo do esperado foi um problema de timing. “O EBITDA ficou abaixo das expectativas em US$ 11,7 bilhões, devido a um atraso na captura de preços mais altos do petróleo nos volumes de exportação”, explicam os analistas Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, do BTG Pactual.
O segmento de Exploração e Produção decepcionou com EBITDA de US$ 10,3 bilhões, ante expectativa de US$ 12,3 bilhões. “Embora o Brent tenha subido 27% na comparação trimestral e a produção tenha crescido 3%, as receitas e o EBITDA do E&P avançaram apenas 12% e 9%, respectivamente”, destacam os analistas.
O lado positivo veio do refino. O segmento de Refino e Comercialização registrou EBITDA de US$ 3,8 bilhões — bem acima da projeção de US$ 1,0 bilhão do BTG —, beneficiado por ganhos de estoque, pelo impacto do preço de transferência do E&P e pelo impairment da UFN-III.
“O aumento de US$ 2,0 bilhões no EBITDA do downstream compensou a elevação da dívida líquida”, apontam Almeida e Cunha.
Dividendos menores, mas política mantida
O fluxo de caixa livre pela fórmula própria da Petrobras somou US$ 3,9 bilhões, pressionado por um efeito negativo de capital de giro de US$ 1,3 bilhão, relacionado a estoques e fornecedores em meio às exportações em curso.
Com isso, os dividendos trimestrais ficaram em US$ 1,7 bilhão — yield de 1,3% —, seguindo a política de distribuir 45% do FCF. O capex totalizou US$ 5,1 bilhões, com E&P respondendo por 87% do total.
Tese intacta para o segundo trimestre
Apesar do resultado fraco, o BTG não muda sua visão estrutural sobre a companhia.
“Acreditamos que os resultados podem melhorar no segundo trimestre, com a Petrobras capturando plenamente os preços mais altos do petróleo e volumes maiores”, afirmam Almeida e Cunha.
Os analistas também destacam o potencial de valorização em um cenário de redução do custo de capital.
“A Petrobras continua oferecendo uma tese de investimento atrativa, ancorada em crescimento sólido de produção e retornos robustos, com dividend yield estimado de 9,2% em 2026 com Brent a US$ 82 por barril”, concluem.
A dívida líquida encerrou o trimestre em US$ 62,1 bilhões, com alavancagem estável em 1,43 vezes o EBITDA.






