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Sinistralidade surpreende na Hapvida, mas perda de clientes preocupam analistas

Sinistralidade surpreende na Hapvida, mas perda de clientes preocupam analistas

Safra aponta que a baixa expectativa do mercado para o trimestre facilita a leitura positiva do resultado, mas estrutura de custos e renovação de gestão ainda não se refletem nas operações

A Hapvida (HAPV3) entregou um resultado melhor do que o mercado esperava no primeiro trimestre de 2026 — mas a régua estava baixa. O EBITDA ajustado de R$ 807 milhões superou as estimativas do Safra em 25% e o consenso de mercado em 21%, impulsionado principalmente por uma sinistralidade caixa mais controlada. Ainda assim, o banco mantém recomendação neutra para as ações HAPV3 e pede cautela antes de qualquer virada na tese de investimento.

Para os analistas Ricardo Boiati, Thiago Marmo e Rafael Une, o desempenho precisa ser lido com contexto.

“A barra de entrada no trimestre era extraordinariamente baixa, já que nossa prévia assumia sinistralidade caixa estável em 75,5% e perda líquida de 88 mil beneficiários — ambos os quais se mostraram excessivamente conservadores”, escrevem os analistas.

A sinistralidade caixa veio a 72,2%, queda de 330 pontos-base na comparação trimestral, refletindo a normalização do faturamento da rede credenciada após o represamento de sinistros no terceiro trimestre de 2025.

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Problemas

Mas nem tudo brilhou.

“Mesmo após a superação, a companhia registrou perda orgânica líquida de 44,5 mil beneficiários de planos de saúde, a sinistralidade caixa permaneceu 40 pontos-base pior na comparação anual e as despesas administrativas caixa excluindo itens não recorrentes rodaram em 8,2% das receitas”, destacam Boiati, Marmo e Une.

As multas da ANS saltaram de R$ 46 milhões para R$ 128 milhões na comparação anual, e as contingências civis subiram de R$ 177 milhões para R$ 251 milhões.

A renovação da equipe de gestão — com mais de dez nomeações em nível de diretoria anunciadas entre março e abril — ainda não se traduziu em resultados.

“A recente reformulação da gestão ainda não teve tempo de influenciar as operações”, observam os analistas.

No lado financeiro, a geração de caixa foi positiva, com fluxo livre ao acionista de R$ 236 milhões. Porém, a alavancagem preocupa: a dívida líquida excluindo ativos compulsórios atingiu R$ 7,6 bilhões, alta de 30% em um ano.

“O índice de alavancagem chegou a 2,71 vezes, contra 1,56 vezes no primeiro trimestre de 2025”, apontam Boiati, Marmo e Une.

Para os analistas do Safra, “são necessárias evidências substancialmente maiores de uma recuperação estrutural antes de adotar uma postura mais construtiva sobre a tese de investimento”.