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JP rebaixa o Brasil, mas revela as 14 preferidas para o 2º semestre

JP rebaixa o Brasil, mas revela as 14 preferidas para o 2º semestre

Carteira preferida privilegia commodities e exportadores, com Vale, Suzano, Weg e Embraer, e evita cíclicos domésticos expostos ao crédito

O JPMorgan rebaixou a recomendação para as ações brasileiras de overweight para neutra. A decisão vem depois de um julho forte, quando o MSCI Brasil subiu 6,3% e superou os índices da América Latina e dos emergentes. Ainda assim, o banco listou uma carteira com 14 ações preferidas para o 2º semestre de 2026.

“Estamos rebaixando o Brasil para neutro, ante overweight, após um bom mês de julho”, escrevem Emy Shayo Cherman e Cinthya M Mizuguchi, do JPMorgan.

No campo global, o banco se prepara para altas de juros do Federal Reserve no segundo semestre e considera encerrado o ciclo de enfraquecimento do dólar. Moedas de juro alto, como o real, seguem bem sustentadas na visão da casa.

“O balanço de riscos é menos favorável no segundo semestre”, afirmam as analistas.

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Os juros que não caíram

A Selic deve encerrar 2026 em 13,75%, com cortes totais de apenas 125 pontos-base. Para as analistas, esse alívio não é suficiente para destravar a bolsa.

“A grande queda de juros que esperávamos no início do ano não se materializou”, dizem Emy Shayo Cherman e Cinthya M Mizuguchi.

A atividade econômica deve desacelerar até o segundo trimestre de 2027, com trégua apenas no primeiro trimestre daquele ano, por conta da safra. A desinflação também tende a ser mais lenta: petróleo mais caro e El Niño somam 70 pontos-base à inflação de 2026 e 2027.

Eleição no centro da precificação

O calendário eleitoral reforça a postura defensiva. Historicamente, o mercado brasileiro fica para trás nos seis meses que antecedem a votação, movimento repetido em 2026 apesar do respiro de julho.

“Estamos entrando em uma fase eleitoral crítica, em que a volatilidade deve disparar”, escrevem as analistas do JPMorgan.

O banco vê uma disputa polarizada entre Lula e Bolsonaro e considera improvável o surgimento de um terceiro nome competitivo.

“Vemos a corrida como muito competitiva, com resultado incerto até o fim”, afirmam Emy Shayo Cherman e Cinthya M Mizuguchi.

O histórico sugere alívio em outubro. Em 2018, o MSCI Brasil subiu 17,8% no mês, após queda de 31,5% no semestre anterior. Em 2022, avançou 8,6%, depois de recuar 23,8%. Neste ano, a baixa acumulada é de apenas 5,8%, o que limita o espaço para um repique.

Bolsa não está barata

O múltiplo de 8,4 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses está acima da média de cinco anos. Desde a pandemia, lembram as analistas, o mercado brasileiro raramente negociou em dois dígitos.

“Não vemos o Brasil como necessariamente barato”, escrevem as analistas.

O contraponto vem da alocação dos fundos globais, ainda distante do Brasil.

“A boa notícia é que o posicionamento está muito leve”, dizem Emy Shayo Cherman e Cinthya M Mizuguchi.

As escolhas, uma a uma

A carteira privilegia visibilidade de lucros e exposição internacional. Weg, RD Saúde, Embraer, Vibra e BTG entram como nomes de maior qualidade e múltiplo mais alto, enquanto Tenda, Multiplan, 3tentos e Yduqs aparecem por valuation já comprimido.

“Preferimos seletividade em vez de beta amplo”, afirmam Emy Shayo Cherman e Cinthya M Mizuguchi.

Vale (VALE3). Rodolfo Angele e Tathiane Martins veem o minério guiado pelos indicadores de demanda da China, como investimento fixo, construção, atividade industrial e crédito. O equilíbrio entre oferta e demanda é o catalisador central.

Suzano (SUZB3). Para os mesmos analistas, o semestre é difícil, com maior integração e mais madeira disponível na China. A nova capacidade prevista para depois de 2027, incluindo o projeto Sucuriú, deve pressionar preços.

Vibra Energia (VBBR3). Rodolfo Angele, Milene Clifford e Henrique Cunha seguem construtivos com a distribuição de combustíveis. Economia de importação favorável, margens de refino saudáveis e concorrência mais racional sustentam a rentabilidade.

3tentos (TTEN3). Lucas Ferreira, Froylan Mendez e Larissa Perez colocam a próxima safra e o risco de El Niño no centro do debate. As margens de curto prazo devem sofrer com biodiesel mais fraco e insumos mais caros.

Weg (WEGE3). Marcelo Motta e Jonathan Koutras destacam a exposição internacional em meio à volatilidade eleitoral. O foco está na atividade industrial global, nos investimentos em transmissão e distribuição na América do Norte e na demanda por baterias.

Embraer (EMBR3). Os mesmos analistas apontam novos pedidos, entregas e expansão de margem como gatilhos. O noticiário ajuda, com oportunidades na Índia, a parceria com a Northrop Grumman no C-390 e o avanço do eVTOL da Eve.

BTG Pactual (BPAC11). Marcelo Santos, Livea Mizobata e Victoria Antonello veem os nomes de mercado de capitais dependentes do momento de lucros e da execução de novas iniciativas. A volatilidade da eleição é catalisador para o setor.

RD Saúde (RADL3). Joseph Giordano, Nicolas Larrain, Froylan Mendez e Guilherme Vilela preferem compounders de qualidade a beta amplo. No Brasil, juros altos por mais tempo, endividamento das famílias e inflação de alimentos apertam o orçamento do consumidor.

Bradsaúde (SAUD3). Joseph Giordano vê a rentabilidade das operadoras sustentada por precificação mais rígida, avanço da coparticipação e melhor gestão de sinistros. O risco é a volta dos tratamentos adiados durante a Copa do Mundo.

Motiva (MOTV3). Guilherme Mendes e Julia Orsi apontam o cenário macroeconômico e político como principal condutor do desempenho. Nas rodovias, o debate central segue sendo o reequilíbrio dos contratos.

Axia Energia (AXIA3). Arthur Pereira e Hugo Gomes são seletivos, já que os juros altos reduzem o apelo das ações vistas como substitutas de renda fixa. O catalisador é a agenda regulatória das distribuidoras, com a nova metodologia do fator de produtividade.

Multiplan (MULT3). Marcelo Motta, Adrian Huerta, Jonathan Koutras e Felipe Barragan veem espaço para expansão de múltiplos conforme os juros reais normalizam. A reforma tributária é um vetor estrutural adicional.

Tenda (TEND3). Para os mesmos analistas, a baixa renda é o segmento preferido, com os juros pesando sobre a média e a alta renda. Lançamentos, vendas líquidas e vendas sobre oferta (VSO) são os indicadores a acompanhar.

Yduqs (YDUQ3). Marcelo Santos, Livea Mizobata e Victoria Antonello alertam para a transição do ensino a distância para cursos híbridos, que eleva o risco de execução. A preferência recai sobre operadores consistentes e geradores de caixa.

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