Sair da bolsa brasileira antes das eleições. É essa a recomendação do JPMorgan, que rebaixou o país de overweight para neutro em seu portfólio de mercados emergentes.
O banco projeta um corte de 25 pontos-base na Selic em setembro, seguido de uma pausa longa até o segundo trimestre de 2027. O fim do afrouxamento coincide com desaceleração da atividade e piora do ciclo de crédito.
Herança fiscal e juro real limitam o próximo governo
“Quem vencer a eleição de outubro terá de lidar com juros reais na casa de um dígito alto e com déficit fiscal”, escreveu o banco em relatório.
A leitura é de que as perspectivas de política econômica seguem indefinidas, sem clareza sobre como o próximo governo tratará as contas públicas em um ambiente de dinheiro caro.
Preços não embutem prêmio eleitoral
“Tanto as ações quanto o real estão andando de lado desde maio, o que sugere que há pouco prêmio ou desconto eleitoral embutido nos preços”, registrou o JPMorgan.
O argumento técnico reforça a cautela. O Brasil costuma ter desempenho pior que o de seus pares nos seis meses que antecedem uma eleição, padrão que não se confirmou em julho, mas que o banco vê voltando a valer.
Calmaria de agora como sinal de alerta
“O mercado já vem devolvendo terreno em agosto e deve continuar assim conforme a volatilidade, que tem sido bastante contida, aumente antes das eleições”, apontou o relatório.
A instituição prefere aguardar. A decisão não é de aposta contra o país, e sim de retirada da posição comprada acima da média até que o quadro eleitoral e a trajetória dos juros fiquem mais nítidos.






