A Taesa (TAEE11) anunciou R$ 207 milhões em dividendos após registrar lucro líquido regulatório no mesmo valor no segundo trimestre do ano, mas o resultado final ficou abaixo das expectativas do BTG Pactual (BPAC11). O principal fator de pressão foi o aumento das despesas financeiras, que chegou a R$ 367 milhões no período.
O valor distribuído aos acionistas representa um dividend yield de 1,6% e corresponde a um payout de 100% do lucro líquido regulatório da Taesa no trimestre, segundo o relatório do banco.
Apesar da pressão sobre o resultado, a companhia apresentou desempenho operacional em linha com as projeções do BTG. A receita líquida alcançou R$ 679 milhões, alta de 9,3% na comparação anual e ligeiramente acima dos R$ 673 milhões estimados pelo banco.

Ebitda cresce 10,6%
O Ebitda da Taesa chegou a R$ 577 milhões no segundo trimestre, avanço de 10,6% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado ficou próximo da projeção de R$ 565 milhões do BTG.
Segundo o banco, o crescimento da receita foi impulsionado pela entrada em operação de Pitiguari, pela energização parcial de Tangará, Saíra (Fase 2) e Ananaí, além de reforços realizados em São Pedro, TSN e ATE III.
Os reajustes da Receita Anual Permitida (RAP) pela inflação também contribuíram para o avanço da receita.
As despesas operacionais somaram R$ 102 milhões, abaixo dos R$ 108 milhões projetados pelo BTG, reforçando o desempenho operacional da companhia.
Despesas financeiras pesam
O ponto negativo do balanço ficou concentrado nas linhas abaixo do Ebitda. O resultado de equivalência patrimonial foi de R$ 91 milhões, contra R$ 99 milhões esperados pelo BTG.
O principal impacto, no entanto, veio das despesas financeiras líquidas. O valor chegou a R$ 367 milhões, bem acima dos R$ 298 milhões projetados pelo banco.
A diferença foi explicada principalmente pelo aumento da variação monetária sobre a dívida indexada ao IPCA, o que elevou o custo financeiro da companhia no período.
Por outro lado, a Taesa teve um benefício na linha de imposto de renda. A companhia registrou um resultado positivo de R$ 33 milhões, enquanto o BTG esperava uma despesa de R$ 4 milhões. O efeito favorável foi atribuído aos benefícios fiscais relacionados aos juros sobre capital próprio (JCP).
Mesmo com esse efeito positivo, o lucro líquido regulatório ficou em R$ 207 milhões, abaixo dos R$ 231 milhões estimados pelo BTG.
Alavancagem permanece estável
A estrutura financeira da Taesa permaneceu praticamente estável no trimestre. A relação entre dívida líquida e Ebitda ficou em 4,7 vezes, mesmo nível registrado no trimestre anterior, considerando a dívida sem as subsidiárias.
Para os acionistas, a distribuição de R$ 207 milhões em dividendos é um dos principais destaques do balanço. O valor equivale a 100% do lucro líquido regulatório da companhia no segundo trimestre.
Assim, embora o resultado final tenha sido prejudicado pelo aumento das despesas financeiras, a Taesa manteve crescimento operacional, Ebitda em linha com as expectativas e uma política de distribuição de dividendos relevante no período.






