A Ativa Investimentos manteve o alvo do Ibovespa em 168 mil pontos para dezembro de 2026, ponto médio de um intervalo que vai de 133 mil a 203 mil. O índice, porém, já negocia acima desse patamar.
Depois de marcar fundo em 167,9 mil pontos em agosto, a bolsa subiu até 185.188 pontos em 3 de setembro, com máxima intradiária de 188,9 mil, acumulando ganho de 11,3% no movimento. O índice segue rondando os 187 mil, a caminho das máximas de abril.
O gatilho foi político. Pesquisas mostrando piora do incumbente levaram o prêmio eleitoral a sair dos juros longos, com o dólar chegando perto de R$ 5,10.
Lá fora, o preço embute aperto
O payroll de agosto veio forte, com 162 mil vagas contra 53 mil esperadas, julho revisado de uma perda de 23 mil para um ganho de 21 mil e desemprego em 4,1%. O CPI subiu 0,4% no mês, com o índice cheio em 3,4% e o núcleo em 2,4% no acumulado, mas o núcleo mensal veio a 0,3%, acima do previsto.
“O que está no preço é aperto, não corte: juro longo alto e dólar firme limitam o fôlego dos emergentes”, aponta Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.
Com o Brent a US$ 108 após a escalada com o Irã, o mercado atribui cerca de 85% de chance a uma alta de 0,25 ponto percentual em 16 de setembro, e o Treasury de dez anos foi a 4,93%, máxima desde 2023.
Por aqui, espaço para corte de juros
O IPCA de agosto registrou deflação de 0,32%, e o acumulado cedeu a 4,22%, o que abre espaço para o Copom levar a Selic de 14,00% para 13,75% na mesma data. A atividade desacelera, com PIB do 2º trimestre em 0,5% na margem, Caged em 58,6 mil vagas em julho e desemprego na mínima histórica de 5,3%.
“No político, algumas pesquisas já colocam Flávio Bolsonaro à frente, e caminhamos para uma intensa disputa até o final do segundo turno”, observa Arbetman.
O custo de oportunidade manda
A alta não encareceu a bolsa. O índice negocia a 8,8 vezes o lucro projetado, acima da média pós-pandemia e abaixo da pré-pandemia, com os lucros esperados renovando máximas. O entrave está na comparação: o juro de dez anos, em 14,1%, roda acima do prêmio médio da bolsa, de 7%.

“Enquanto esta conta não virar, o beta não remunera o risco”, projeta Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos. Por isso a recomendação de compra segue concentrada, com foco em seleção de ações com balanço forte, carrego e geração de caixa resiliente.
O fluxo ainda não confirmou o movimento: em agosto, o estrangeiro retirou R$ 18,100 bilhões, com o institucional local absorvendo com R$ 11,400 bilhões, e os multimercados e fundos de ações seguem com resgates.
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