Home
Notícias
Ações
Dividendos da semana: veja as quatro empresas que pagam de 14 a 18 de setembro

Dividendos da semana: veja as quatro empresas que pagam de 14 a 18 de setembro

Gerdau abre o calendário nesta segunda-feira (14), com R$ 0,110 por ação, e Bradesco distribui quatro parcelas de JCP na terça (15)

Os dividendos da semana envolvem quatro companhias listadas na B3, que creditam proventos e juros sobre capital próprio (JCP) nas contas dos acionistas entre esta segunda-feira (14) e a sexta (18). Os valores foram aprovados em assembleias e reuniões de conselho realizadas ao longo do ano.

A Metalúrgica Gerdau (GOAU3; GOAU4) inaugura a semana com dividendo de R$ 0,110 por ação, tanto para a ordinária quanto para a preferencial. Recebe quem tinha os papéis em carteira no fechamento de 19 de agosto.

O maior pagamento sai na terça-feira, com o Bradesco (BBDC3; BBDC4). São quatro parcelas de JCP referentes a dois períodos diferentes, com datas de corte em 6 de abril e 3 de julho.

Na soma dos dois anúncios, a ordinária rende R$ 0,5857 por ação e a preferencial, R$ 0,6442. São exatos 10% a mais, proporção fixada no estatuto do banco.

Na sexta-feira aparecem os dois menores cheques da semana. A Eternit (ETER3) paga R$ 0,0854 por ação, com corte em 30 de março, e a Mitre (MTRE3)distribui R$ 0,0284, referente à posição de 8 de setembro.

Publicidade
Publicidade

Calendário dos dividendos da semana

EmpresaTickerTipoValor (R$)Data de corteData de pagamento
Metalúrgica GerdauGOAU3Dividendo0,110019/08/202614/09/2026
Metalúrgica GerdauGOAU4Dividendo0,110019/08/202614/09/2026
BradescoBBDC3JCP0,270306/04/202615/09/2026
BradescoBBDC3JCP0,315403/07/202615/09/2026
BradescoBBDC4JCP0,297306/04/202615/09/2026
BradescoBBDC4JCP0,346903/07/202615/09/2026
EternitETER3Dividendo0,085430/03/202618/09/2026
MitreMTRE3Dividendo0,028408/09/202618/09/2026

Quem tem direito aos dividendos da semana

A regra é simples e não depende de quanto tempo o investidor carrega o papel. Basta estar com as ações na carteira no encerramento do pregão da data de corte, também chamada de data com.

Comprou no dia seguinte? Não recebe. A partir daí o ativo passa a ser negociado “ex-proventos”, ou seja, sem o direito àquele pagamento específico.

O contrário também vale: quem vendeu as ações depois da data com continua na lista de beneficiários, mesmo sem ter mais o papel na conta no dia do crédito.

Nas quatro pagadoras de dividendos da semana, todas as datas de corte já venceram. A folha de pagamento, portanto, está fechada. O dinheiro sai para quem cumpriu o requisito meses atrás, caso do Bradesco e da Eternit.

Como receber os dividendos na conta

Não existe formulário, solicitação ou botão para apertar. O crédito é automático e chega à conta da corretora onde as ações estão custodiadas, no próprio dia do pagamento.

O valor costuma aparecer no extrato financeiro como “provento”, “dividendo” ou “JCP”, separado das movimentações de compra e venda. Algumas corretoras lançam o dinheiro pela manhã, outras só no fim do dia.

Quem mantém ações escrituradas diretamente no banco escriturador, situação comum em papéis herdados ou comprados há muitos anos, recebe em conta corrente. Se o cadastro estiver desatualizado, o valor fica retido até a regularização.

Dividendo e JCP não são a mesma coisa

Os dois saem do lucro, mas por caminhos contábeis distintos. O dividendo é distribuído depois que a empresa já pagou Imposto de Renda e CSLL sobre o resultado.

Já o JCP entra como despesa financeira no balanço. A companhia deduz esse valor da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, economiza até 34% ali, e transfere a conta do imposto para o acionista.

Por isso bancos e elétricas, empresas de lucro real com patrimônio líquido alto, usam tanto o mecanismo. O Bradesco é o exemplo clássico: distribui JCP mensalmente e concentra os pagamentos algumas vezes por ano.

Quanto o imposto leva em 2026

Aqui está a mudança mais relevante para quem vive de proventos. A Lei Complementar 224/2025 elevou o IRRF sobre o JCP de 15% para 17,5% a partir de 1º de janeiro de 2026.

Na prática, a cada R$ 100 anunciados em JCP o investidor pessoa física passou a receber R$ 82,50 líquidos, contra R$ 85 no ano passado. A retenção é definitiva e não volta no ajuste anual.

Os dividendos, isentos desde 1996, também entraram na conta. A Lei 15.270/2025 criou retenção de 10% quando uma mesma empresa paga mais de R$ 50 mil em um único mês à mesma pessoa física.

Atenção ao detalhe que costuma escapar: ultrapassado o teto, os 10% incidem sobre o total distribuído no mês, não apenas sobre o excedente. Quem recebe R$ 70 mil paga R$ 7 mil, e não R$ 2 mil.

Para o pequeno investidor, contudo, o gatilho é distante. Seria preciso ter cerca de 455 mil ações da Metalúrgica Gerdau para que o dividendo desta segunda-feira alcançasse os R$ 50 mil mensais.

Existe ainda o IRPFM, a tributação mínima de altas rendas. Ele alcança quem soma mais de R$ 600 mil em rendimentos no ano, com alíquota progressiva que chega a 10% acima de R$ 1,2 milhão.

Por que a ação cai no dia seguinte à data com

Quando o papel passa a ser negociado sem direito ao provento, o preço abre descontado do valor que será pago. Um dividendo de R$ 0,11 tende a sair da cotação na abertura seguinte.

Não se trata de perda patrimonial. O dinheiro apenas migrou do preço da ação para a conta do investidor, com a diferença de que, no JCP, uma parte fica no caminho, com a Receita.

Essa mecânica derruba uma estratégia popular: comprar às vésperas da data de corte só para capturar o provento. O ganho aparente evapora no ajuste de preço, e o imposto ainda morde o JCP.

O que muda para quem monta carteira de proventos

O aumento do IRRF sobre o JCP reduziu parte da vantagem que o instrumento tinha sobre o dividendo comum. A economia fiscal continua existindo para a empresa, mas o líquido do acionista encolheu.

Alguns gestores já avaliam que as companhias podem rebalancear o mix entre as duas modalidades nos próximos exercícios. Bancos, entretanto, dificilmente abandonam o JCP: a dedução no IRPJ ainda compensa.

Para o investidor, a leitura prática é olhar o valor líquido, não o anunciado. Dois papéis com o mesmo provento bruto entregam retornos diferentes conforme a natureza do pagamento.