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20 empresas devem adiantar dividendos antes da Reforma Tributária, aponta BTG

20 empresas devem adiantar dividendos antes da Reforma Tributária, aponta BTG

Com o fim da isenção sobre dividendos a partir de 2026, companhias com grandes reservas e baixa alavancagem devem antecipar pagamentos extraordinários, segundo relatório do BTG Pactual

Um relatório do BTG Pactual (BPAC11) aponta 20 empresas brasileiras que podem adiantar a distribuição de dividendos antes da entrada em vigor da nova tributação prevista na Reforma do Imposto de Renda.

Segundo o banco, a mudança nas regras deve provocar uma “corrida” por pagamentos extraordinários até o fim de 2025, aproveitando a última janela de isenção.

O estudo, assinado pelos analistas Carlos Sequeira, Leonardo Correa, Antonio Junqueira, Osni Carfi, Tcha Chan e Bruno Henriques, considera fatores como reservas de lucro, alavancagem, geração de caixa e planos de investimento para identificar as empresas mais propensas a antecipar proventos.

A Reforma Tributária, aprovada pelo Senado Federal nesta quarta-feira (5), confirmou a tributação de 10% sobre rendas superiores a R$ 600 mil por ano, incluindo dividendos, e ampliou a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil mensais. 

O texto segue agora para sanção presidencial, com vigência a partir de janeiro de 2026 — preservando a isenção dos lucros aprovados e declarados até dezembro de 2025.

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Para entender como investidores e empresas podem se preparar para o novo regime e proteger seus lucros, veja também a reportagem “Tributação dos dividendos: quais as estratégias para blindar lucros”.

Empresas com maior probabilidade de antecipar proventos

Entre as companhias com yields extraordinários projetados entre 15% e 20%, o BTG destaca: 

Outras empresas com projeções próximas de 15% incluem Copel (CPLE6) e Intelbras (INTB3).

Também figuram na lista Ambev (ABEV3), TIM (TIMS3), Axia Energia, a antiga Eletrobras (ELET6), Direcional (DIRR3), Cyrela (CYRE3), Gerdau (GGBR4), Lavvi (LAVV3), Isa Energia (ISAE4), Energisa (ENGI11), C&A (CEAB3), PetroReconcavo (RECV3), Usiminas (USIM5) e Irani (RANI3).

O banco estima que as companhias sob sua cobertura têm R$ 548 bilhões em reservas e lucros acumulados, o equivalente a 20% do valor de mercado dessas empresas.

Setores com maior potencial

O levantamento do BTG mostra que serviços básicos, telecomunicações, construção civil e materiais básicos concentram os principais candidatos a pagamentos antecipados.

Entre os fatores determinantes estão alta previsibilidade de caixa, baixo endividamento e espaço para distribuir reservas sem comprometer investimentos.

Serviços básicos

Empresas como Copel, Eletrobras, Sanepar, Copasa, Isa Energia e Energisa estão entre as mais bem posicionadas, com yields potenciais entre 10% e 34%, a depender da estrutura de capital.

Materiais básicos

Metalúrgica Gerdau e Gerdau lideram o setor, seguidas por Usiminas e Irani. Com baixa alavancagem e reservas robustas, as siderúrgicas podem entregar yields de 9% a 23%.

Construção civil

Companhias como Direcional, Cyrela, Lavvi e Eztec devem aproveitar o bom momento do setor. A Eztec, por exemplo, pode distribuir o equivalente a 17% de seu valor de mercado em proventos.

Telecomunicações e tecnologia

TIM, Unifique e Intelbras se destacam pela sólida geração de caixa e baixo endividamento, com potenciais de 12% a 19% de yield.

Saúde e bens de capital

Blau e Marcopolo também se destacam, com projeções de distribuição entre 18% e 20%, apoiadas por balanços enxutos e reservas significativas.

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Perspectivas e cautela

O BTG alerta que o ritmo de antecipação de dividendos dependerá do comportamento de cada empresa e de ajustes finais na regulamentação da reforma.

“Alterações no texto aprovado poderiam mudar significativamente o apetite das companhias em anunciar grandes dividendos”, destaca o relatório.

Ainda assim, com o texto mantido pelo Senado e a sanção prevista para novembro, o banco espera um aumento expressivo nas declarações de proventos ainda em 2025.