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Venezuela: A Nova Ordem Mundial e seus investimentos

Venezuela: A Nova Ordem Mundial e seus investimentos

Remoção de Maduro pela operação americana reforça o avanço de uma ordem global mais instável

A “Nova Ordem Mundial” continua sendo construída, e tem tornado o mundo mais incerto e volátil. Diversas proxy wars estão ocorrendo ao redor do mundo, em uma acirrada disputa por influência, especialmente entre China, Estados Unidos e Rússia. 

É nesse ambiente que interpretamos a operação americana na Venezuela, que removeu o presidente Nicolás Maduro, que será julgado nos EUA. 

A presença da Rússia e da China na Venezuela vinha chamando a atenção do governo americano. Além disso, as exportações de petróleo para a China representavam um suprimento a um competidor. E a América Latina sempre foi uma região de influência do governo americano.  

Assim, algumas conclusões já são possíveis: 

1. Não foi uma invasão, foi um ataque direcionado.

 Os EUA não têm um efetivo terrestre suficiente na região, apesar da forte presença no cerco marítimo à Venezuela. 

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Assim, os primeiros sinais apontam que a retirada de Maduro foi combinada com membros do regime e militares. Um sinal claro foi o endosso do presidente Donald Trump à então vice-presidente Delcy Rodrigues, agora presidente venezuelana interina. 

2. Em um primeiro momento, não haverá uma mudança do regime.

Os sinais iniciais apontam para a manutenção da estrutura de poder vigente, sem a ruptura que caracterizaria o fim do “chavismo”. 

Outro fator que reforça essa conclusão, além do já citado endosso de Trump ao sistema atual, é que representantes da oposição não estavam sabendo da operação e não participaram ativamente da sua organização. 

Uma mudança de regime precisa de manifestações amplas de rua, que não estão ocorrendo. 

3. O governo americano terá demandas e espaço para negociações. 

É o que sugere, além disso, um governo de transição na atual estrutura, especialmente no setor de petróleo. Atualmente, somente a Chevron vinha operando na Venezuela, numa joint-venture com a estatal PDVSA. 

Em termos de efeitos para os mercados de energia, o aumento da produção de petróleo e gás deve demorar alguns meses ou anos. A ausência de investimentos por décadas deixou um legado de produção e produtividade muito baixas.

Assim, o preço do petróleo deve ficar mais volátil. No médio prazo, tanto gás natural quanto petróleo devem ter quedas nos preços, com o aumento da oferta.  

Para os EUA, como o benefício de um petróleo mais barato não ocorrerá no curto prazo, não vemos impacto baixista na inflação, reduzindo o apelo de popularidade para Trump.  

Em ano de eleições no Congresso, uma avaliação positiva do presidente ajuda o partido a ter um bom desempenho.  

Vale notar também que o benefício de popularidade presidencial por ataques externos tem diminuído ao longo dos anos, diante de alguns fracassos importantes, como no Iraque e no Afeganistão.

América Latina

Em relação à região, não acreditamos que ataques a outros países estejam próximos.  

A Colômbia realizará eleições em maio e a direita deve voltar ao poder. No México, há uma relação direta positiva com a presidente Claudia Sheinbaum, mas algumas intervenções no tema dos cartéis de droga podem estressar a relação daqui em diante.  

De qualquer maneira, nada parecido com o que ocorreu na Venezuela.  

Brasil

Para o governo brasileiro, a notícia tende a ser negativa. O presidente Lula vinha se colocando como negociador da situação venezuelana e sequer foi comunicado da operação americana.  

Além disso, um potencial fluxo de imigrantes venezuelanos para o Brasil poderia gerar atritos na fronteira. Finalmente, a proximidade do PT com o governo da Venezuela deve ser explorada durante a campanha eleitoral.  

Os efeitos para os mercados financeiros em geral tendem a ser mais comedidos. Há anos, a Venezuela já não era relevante em termos de investimentos. Alguns fundos investiam em sua dívida soberana, que é negociada com enormes descontos de valor de face.  

Para dólar, Bolsa brasileira e taxa de juros, os impactos não devem ser duradouros nem relevantes.