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EQI Research corta prefixado 2029 e reforça Tesouro Selic na carteira de renda fixa

EQI Research corta prefixado 2029 e reforça Tesouro Selic na carteira de renda fixa

Analista mantém visão positiva para prefixados e títulos atrelados ao IPCA, mas cita eleições e inflação acima do esperado

A EQI Research cortou em 2,5 pontos percentuais a fatia do Tesouro Prefixado 2029 (LTN) nas três carteiras recomendadas de renda fixa e transferiu o valor para o Tesouro Selic (LFT). A troca vale para os perfis conservador, moderado e arrojado.

O movimento embolsa parte do ganho do último mês. A taxa do prefixado com vencimento em 2029 caiu de 14,30% para 13,75% ao ano desde a revisão anterior, e o preço do título sobe quando a taxa recua.

“Seguimos observando prêmios elevados nos títulos prefixados, mas, diante da possibilidade de aumento da volatilidade, optamos pela realização parcial dos lucros”, explica João Abdouni, analista da EQI Research.

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Eleição e inflação pesam no ajuste

Dois fatores empurraram a decisão além do ganho acumulado. O primeiro é a proximidade das eleições, que costuma sacudir os juros futuros. O segundo é a avaliação da casa de que o IPCA, a inflação oficial, pode vir acima do que o mercado projeta nos próximos meses.

O corte, no entanto, é pequeno e não muda o desenho das carteiras. Os títulos atrelados à inflação (NTN-B, ou Tesouro IPCA+) ficaram intactos, com peso entre 20% e 35%, conforme o perfil.

“Mantemos uma visão positiva tanto para os títulos indexados (IPCA+), quanto para os prefixados, com taxas ainda elevadas”, pondera Abdouni.

Como ficam as carteiras

No perfil conservador, o Tesouro Selic março/2030 passa a ocupar 72,5% da carteira. A parcela de inflação soma 20%, concentrada na NTN-B maio/2035, e o prefixado 2029 cai para 7,5%.

“Mantemos a estrutura da carteira com maior parcela em títulos pós-fixados, dado que, em nosso cenário-base, esses ativos devem continuar oferecendo carrego atrativo ao longo do ano”, justifica o analista.

O moderado fica com 55% no pós-fixado, 30% em inflação e 15% em prefixados. Já o arrojado, com 45% no Tesouro Selic, carrega a maior aposta em prazos longos: 10% na NTN-B agosto/2060 e 5% na LTN janeiro/2030.

TítuloConservadorModeradoArrojado
LTN janeiro/20297,5%12,5%15,0%
LTN janeiro/20300,0%2,5%5,0%
NTN-B maio/20272,5%0,0%0,0%
NTN-B janeiro/20322,5%2,5%2,5%
NTN-B maio/203515,0%22,5%22,5%
NTN-B agosto/20600,0%5,0%10,0%
LFT março/203072,5%55,0%45,0%

Fonte: EQI Research

Numa aplicação de R$ 100 mil, portanto, o investidor conservador teria R$ 72,5 mil no Tesouro Selic, enquanto o arrojado colocaria R$ 45 mil no mesmo título.

Resultado do mês supera o CDI

Desde a última publicação, a carteira arrojada subiu 1,55%, ou 157% do CDI. A moderada avançou 1,45% (147% do CDI) e a conservadora, 1,24% (126% do CDI), contra 0,98% do CDI e 1,40% do IMA-Geral, índice da Anbima que reúne os títulos públicos.

O retrato de prazo mais longo é menos favorável. Desde julho de 2024, início da série, as três carteiras ficaram abaixo do CDI, que acumula 32,6%. A conservadora chegou mais perto, com 31,1%, seguida pela moderada (28,9%) e pela arrojada (28,0%).

Selic cai, mas juros seguem altos

O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic em 0,25 ponto no início de setembro, de 14,00% para 13,75% ao ano. Foi a quinta redução seguida.

A inflação ajudou. O IPCA de agosto registrou deflação de 0,32% e levou o acumulado em 12 meses para 4,22%. O Novo Caged, entretanto, mostrou 58.568 vagas formais em julho, o menor número para o mês desde 2020.

O desemprego contrasta com o Caged. A taxa caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho, a menor da série da Pnad para o período, iniciada em 2012, com recorde de 103,3 milhões de pessoas ocupadas.

As contas públicas preocupam mais. A dívida bruta do governo geral chegou a 82,5% do PIB em julho, o equivalente a R$ 10,9 trilhões, e o déficit nominal está em 9,34% do PIB, mesmo com o primário recuando de 1,19% para 0,67%.

“Seguimos com perspectiva de juros elevados no mercado doméstico, considerando o equilíbrio entre a melhora recente dos dados de inflação e a permanência dos riscos fiscais, além das expectativas de inflação ainda acima da meta”, avalia Abdouni.

Fed vai na direção oposta

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) elevou os juros em 0,25 ponto, para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, em decisão unânime. O payroll de agosto criou 162 mil vagas, bem acima das projeções, e o desemprego ficou em 4,1%.

O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,4% em agosto, com combustíveis e energia mais caros, e manteve a alta em 12 meses em 3,4%. Os vencimentos mais curtos da curva americana subiram cerca de 45 pontos-base, e os Treasuries de 10 e 30 anos pagam perto de 5,0% e 5,25%.

Para a EQI, as tensões geopolíticas encareceram commodities e fretes e impedem a inflação americana de convergir para a meta de 2%. Com isso, o Fed pode manter os juros ou até subir mais.

“Esse panorama tende a dificultar o consumo, encarece a rolagem da dívida e eleva o risco de recessão”, alerta o analista.