Uma pesquisa do Safra com 188 investidores, feita durante a conferência anual do banco em 22 e 23 de setembro, revela um otimismo com a bolsa brasileira que não se traduz em aumento de exposição. A maioria pretende manter o que já tem.
Os números da expectativa são generosos.
Cerca de 72% projetam o Ibovespa entre 180 mil e 220 mil pontos ao fim de 2027, e outros 18% esperam níveis acima de 220 mil. No fluxo, 44% acreditam em aumento da entrada de capital estrangeiro e 36% veem estabilidade.
O posicionamento conta outra história. Entre os entrevistados, 57% pretendem manter a alocação em ações e 63% planejam preservar o nível de risco das carteiras.

Commodities e bancos concentram as apostas locais
Dentro da bolsa brasileira, dois setores dominam. Commodities somam 34% das respostas e serviços financeiros, 32%, deixando para trás utilidades básicas, com 10%, consumo e varejo, com 9%, e construção e shoppings, com 7%.
“A escolha pelo setor de commodities reforça a busca por empresas de maior capitalização, dolarizadas e que pagam dividendos elevados. A preferência por serviços financeiros evidencia a busca por maior previsibilidade de resultados”, apontam Cauê Pinheiro, Carolina Carneiro, Yves Adam e Luana Nunes, analistas do Safra.
Fiscal preocupa, eleição não
A situação fiscal brasileira é apontada por 55% como o maior risco para 2027, seguida pela geopolítica, com 22%. A eleição deste ano, por sua vez, tem leitura bem mais tranquila: 48% a consideram um evento positivo para a bolsa e 31%, neutro.
O cenário macroeconômico desenhado pelas respostas combina desaceleração com juros ainda altos.
Para a Selic, a faixa entre 11% e 12% lidera com 36%, seguida de acima de 12%, com 30%. Na inflação, 57% projetam entre 4% e 5%, e no PIB, 53% esperam crescimento entre 1% e 1,5%. No câmbio, 53% veem o dólar entre R$ 5 e R$ 5,30.
Tecnologia global à frente da bolsa local
“Tecnologia global recebe 36% das indicações, à frente de renda fixa indexada à inflação, com 22%, e de ações brasileiras, com 18%”, observam Pinheiro, Carneiro, Adam e Nunes.
Agregando as respostas, a renda variável internacional lidera com 45%, seguida da renda fixa local, com 38%, o que deixa a bolsa brasileira em terceiro lugar.
“As gigantes de tecnologia concentraram 45% das respostas sobre o principal vencedor da inteligência artificial, seguidas pelos setores de semicondutores, com 23%, energia, com 18%, e software, com 10%”, dizem os analistas.
Para eles, a distribuição evidencia oportunidades em diferentes elos da cadeia de tecnologia e infraestrutura.






