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Renda Fixa
Saiba o papel do Tesouro Direto preferido dos institucionais

Saiba o papel do Tesouro Direto preferido dos institucionais

A partir de 2032, quanto mais longo o vencimento, menor a taxa: o papel de 2035 paga 7,60% e o de 2050, 7,28%

O Safra recomenda concentrar a alocação em renda fixa no miolo da curva de juro real, com títulos do Tesouro IPCA+ vencendo entre 2028 e 2035. Essa parcela responde por metade da carteira sugerida pelo banco.

O que sustenta a escolha é o formato atual da curva. Na taxa do Tesouro Direto de 9 de setembro, o papel de 2032 negociava a 7,8% e o de 2035, a 7,6%. Já o de 2040 saía a 7,29%, o de 2045 a 7,28% e o de 2050 a 7,25%.

A leitura é direta: a partir de 2032, quanto mais longo o vencimento, menor a taxa. Alongar 15 anos, de 2035 para 2050, custa cerca de 32 pontos-base de rendimento acima da inflação.

Há também um efeito na rolagem. Quem compra o papel de 2040 e carrega por um ano vê o título encurtar na direção de vencimentos que pagam mais, o que gera perda de valor no caminho.

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Por que o vencimento de 2035 se destaca

O título que vence em 2035, a 7,6%, paga cerca de 260 pontos-base acima do juro real considerado neutro, estimado em 5%. Fica perto do topo da curva e com sensibilidade a juros bem menor do que a dos papéis de 2045 e 2050.

A demanda institucional confirma o movimento.

Nos leilões do Tesouro, a taxa do papel de dez anos caiu de 8% em 7 de julho para 7,72% em 1º de setembro, em quatro quedas consecutivas ao longo de cinco leilões, com o volume vendido subindo de 50 mil para 500 mil títulos.

Recomendação de alocação

O caixa remunerado e o prefixado curto

O Tesouro Selic cai para 20% da carteira, mas segue como âncora. Com a taxa básica em 14%, o caixa remunerado mantém boa relação entre risco e retorno.

“O IMA-S entregou 14,83% em 12 meses, 407 pontos-base acima do IMA-B 5+”, apontam Yuri Machado e Roberto Pasqualini, analistas do Safra. O IMA-S acompanha os títulos pós-fixados e o IMA-B 5+ reúne os papéis atrelados à inflação com prazo acima de cinco anos.

“As LFT de 2027 e 2028 negociam a prêmios de 0,01% e 0,02% sobre a Selic. Preferimos os vencimentos de 2029 a 2031, onde o prêmio sobe para 0,027% a 0,073% sem perda de liquidez”, dizem Machado e Pasqualini.

A oferta está garantida: o Tesouro elevou para 50,1% a parcela da dívida indexada à Selic e projeta R$ 1,070 trilhão de emissão em papéis pós-fixados em 2026, contra R$ 590 bilhões em títulos atrelados à inflação.

“A inclinação entre os vencimentos intermediários e curtos permite obter cerca de 25 a 30 pontos-base adicionais por ano caso a curva permaneça estável”, projetam Yuri Machado e Roberto Pasqualini, analistas do Safra, sobre os 30% alocados em prefixados com prazo até 2028.

O fechamento recente dos juros foi mais intenso nos vencimentos intermediários, o que sugere que o mercado já precificou o ciclo de alta. O ponto de saída da estratégia é uma taxa de 14,7%, patamar que se mostrou atrativo para entrada ao longo do ano.