A argentina Cocos Capital está entrando no Brasil com a compra de ativos da Warren, corretora fundada em 2017 por ex-sócios da XP. A operação, submetida aos reguladores, marca a primeira expansão internacional da plataforma financeira.
Segundo o Pipeline, a aquisição inclui a Renascença, corretora institucional rebatizada de Warren Rena, responsável por mais de 60% da receita da Warren e que transaciona cerca de R$ 10 bilhões por dia atendendo clientes como Itaú BBA, Goldman Sachs, tesourarias e fundos de pensão.
No pacote também entram as operações de gestão de recursos e a vertical de mercado de capitais, criada há quatro anos e focada em transações de ECM e DCM.
Dinheiro e ações
A operação foi estruturada como uma combinação de dinheiro e ações da Cocos Capital, o que deve transformar os principais investidores institucionais da Warren, entre eles a Kaszek Ventures, em acionistas da plataforma argentina.
O GIC e a Citi Ventures, que também integravam o cap table da corretora, devem receber saída parcial com o componente em dinheiro. O valor total é mantido em sigilo.
Os cinco fundadores da Warren, os irmãos Tito e André Gusmão, Kelly Gusmão, Rodrigo Grundig e Marcelo Maisonnave, não integrarão o quadro societário da Cocos. Eles conduzirão um novo projeto independente de tecnologia e distribuição, com novos investidores, e devem manter parte dos ativos e da equipe da Warren para essa iniciativa.
Consolidação regional
Para a Cocos, a compra da Warren faz parte de uma estratégia mais ampla. Combinada com a recente aquisição do Banco Voii na Argentina, a operação deve levar a receita anual da fintech a superar US$ 100 milhões ainda em 2026, com mais de US$ 4 bilhões em ativos sob gestão.
“Eles têm essa visão de construir uma grande empresa global e geracional. A Argentina é um mercado interessante, mas que tem um limite claro. Olhando os países na região, o Brasil é o que tem o mercado de capitais mais avançado e a maior oportunidade”, disse uma fonte próxima à companhia ao Brazil Journal.
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Sem capital externo
Fundada em 2021 por Nicolás Mindlin e Ariel Sbdar, respectivamente chairman e CEO, a Cocos Capital saiu do zero para mais de dois milhões de clientes na Argentina sem nunca ter captado recursos externos.
Os fundadores iniciaram o negócio com US$ 50 mil e financiaram a expansão com a geração de caixa da própria operação. Em 2025, a companhia registrou receita de US$ 49,7 milhões e Ebitda ajustado de US$ 25 milhões, com um time de apenas 200 funcionários.
O plano da fintech é transformar o Brasil em seu maior mercado em pouco tempo. A Cocos aposta na mesma fórmula que a levou ao topo na Argentina: plataforma digital com foco na experiência do usuário, presença forte nas redes sociais e agilidade para lançar produtos com base no feedback dos clientes.






