O PicPay (PICS) deu um passo decisivo para concluir a aquisição da seguradora Kovr após receber a aprovação final do Banco Central. Na avaliação do BTG Pactual (BPAC11), a decisão elimina a principal incerteza regulatória da operação e abre espaço para um potencial adicional de crescimento dos lucros da companhia, já que os resultados da Kovr ainda não estão incorporados nas projeções financeiras do grupo.
Em relatório divulgado, o BTG Pactual destaca que a autorização do BC se soma às aprovações já concedidas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). Com isso, restam apenas as condições habituais para o fechamento da transação.
Segundo o banco, a aquisição representa um avanço estratégico ao acelerar a transformação da operação de seguros do PicPay, que deixará de atuar predominantemente como distribuidor para operar um modelo verticalizado. A Kovr acrescenta produtos, tecnologia e capacidade operacional em diferentes linhas de seguros, complementando uma base superior a 10 milhões de apólices ativas.
Ampliação do porftóio de seguros
O BTG também ressalta que a aquisição deve ampliar o portfólio de seguros, melhorar a rentabilidade da operação e aprimorar a experiência dos mais de 68 milhões de clientes do PicPay. A consolidação dos resultados da Kovr ocorrerá somente após a conclusão definitiva da operação.
Além da aquisição, o banco vê espaço para resultados acima das expectativas já no segundo trimestre de 2026. Durante conferência promovida pelo BTG na semana passada, o diretor de Relações com Investidores, Estratégia e M&A do PicPay, André Cazotto, afirmou que o lucro líquido ajustado pode superar a projeção de R$ 245 milhões divulgada pela companhia, que já representa crescimento de 45% em relação ao trimestre anterior.
A administração também demonstrou confiança de que o lucro líquido de 2026 poderá ficar acima do consenso de mercado, próximo de R$ 1 bilhão. O BTG destaca que essa perspectiva considera apenas as operações atuais do PicPay, sem incluir qualquer contribuição da Kovr, o que reforça o potencial de alta adicional nos resultados após a integração da seguradora.
Segundo Cazotto, a Kovr deve gerar aproximadamente R$ 200 milhões de lucro por ano. Considerando um preço de aquisição pouco superior a R$ 600 milhões, o BTG avalia que a operação foi fechada por um múltiplo considerado atrativo, com potencial relevante de geração de valor para os acionistas.
O relatório também destaca que o PicPay segue sustentando sua expansão em fatores como crescimento da carteira de crédito, maior penetração de serviços financeiros, forte engajamento dos clientes e expansão da atuação junto a pequenas e médias empresas. Para o BTG, esses fatores, somados à aquisição da Kovr, reforçam a perspectiva de continuidade do crescimento dos resultados da companhia nos próximos trimestres.
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