Home
Notícias
Ações
Suzano: paradas pressionam margem no 2º trimestre

Suzano: paradas pressionam margem no 2º trimestre

Custo caixa incluindo paradas deve avançar para R$ 935 por tonelada, principal vetor de compressão de margem no trimestre

A Suzano (SUZB3) deve reportar um segundo trimestre de 2026 marcado por compressão de margens, segundo prévia divulgada nesta sexta-feira (24) pela Genial Investimentos. A receita deve avançar, mas o Ebitda recua — dissonância explicada quase integralmente pelo calendário de paradas programadas, o mais oneroso do exercício.

Antevemos um trimestre de compressão de margem, no qual a receita deve avançar enquanto o Ebitda recua — dissonância que há de emanar, quase integralmente, do calendário de paradas“, afirmam os analistas da Genial.

A Genial projeta receita líquida de R$ 11,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 3,9% em relação ao trimestre anterior, mas queda de 14,3% na comparação anual.

O Ebitda ajustado deve recuar para R$ 4,4 bilhões — queda de 3,8% sequencial e de 27,6% anual —, com margem estimada em 38,7%. A severidade da comparação anual reflete o fato de que o segundo trimestre de 2025 transcorreu sem nenhuma parada programada.

Custo e volume de celulose sob pressão

O custo caixa é o principal vetor do resultado. Excluindo as paradas, a Genial projeta custo caixa de R$ 837 por tonelada, na porção superior do guidance da companhia de R$ 830 a R$ 840 por tonelada — pressionado pelo Brent sobre os insumos energéticos, parcialmente mitigado pelo câmbio.

Publicidade
Publicidade

Com as paradas incluídas, o indicador deve escalar para R$ 935 por tonelada, alta de 6% em relação ao trimestre anterior.

“É precisamente esse delta — e não o preço — que há de subtrair a margem do trimestre”, destacam os analistas.

No volume, a Genial projeta vendas de 2.904 quilotoneladas, queda de 11,2% na comparação anual, reflexo da redução de ritmo operacional e das paradas programadas inexistentes no mesmo período do ano anterior.

No preço da celulose, o referencial deve avançar, contudo o preço realizado deve acompanhá-lo apenas parcialmente.

“O alargamento dos descontos comerciais explica o diferencial entre o avanço do PIX/FOEX BHKP China e o preço realizado no mercado externo”, explicam os analistas.

A apreciação cambial de 3,9% no trimestre deve neutralizar o ganho em dólares, mantendo o preço médio praticamente estável em reais, a R$ 2.979 por tonelada.

Valuation descontado sustenta recomendação de compra

Apesar do trimestre fraco, a Genial reitera recomendação de compra para a Suzano, com preço-alvo de R$ 60 por ação — upside de 41% em relação à cotação atual de R$ 42,43. A ação acumula queda de 17,5% no ano e negocia próxima do piso das mínimas em 52 semanas.

“O segundo trimestre de 2026 há de ser um trimestre de travessia — margem comprimida por evento de calendário, e não por deterioração estrutural”, concluem os analistas da Genial.

Sobre as estimativas da casa, a ação negocia a 5,5 vezes EV/Ebitda 2026 e 4,9 vezes para 2027, com desconto de 16% ante a média dos pares globais — bem acima da média histórica de dois anos de 4%.

A normalização do calendário de paradas e a consolidação do negócio de bens de consumo a partir do terceiro trimestre de 2026 são apontados como os principais catalisadores à frente.