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Veja o “presentão” que a Vale pode ganhar do governo

Veja o “presentão” que a Vale pode ganhar do governo

Decreto que atualiza critérios de classificação de cavernas pode destravar entre 30% e 35% do setor de mineração brasileiro

O governo federal deve publicar nos próximos dias um novo decreto atualizando os critérios técnicos de classificação de cavernas naturais subterrâneas, segundo a CNN Brasil, em movimento que pode ter impacto significativo para a Vale (VALE3). O BTG Pactual avaliou a iniciativa como potencialmente positiva para a mineradora e reiterou recomendação de compra para o papel.

A proposta, desenvolvida conjuntamente pelos Ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente, visa reduzir a subjetividade no licenciamento ambiental, estabelecer prazo de 30 dias para o ICMBio avaliar classificações de cavernas e evitar que projetos fiquem indefinidamente paralisados aguardando decisões regulatórias.

O governo estima que a medida pode destravar entre 30% e 35% do setor de mineração brasileiro, especialmente em projetos de minério de ferro e calcário.

Vale
(Imagem: Divulgação/ Vale)

Restrições em Carajás limitaram produção por uma década

O impacto potencial para a Vale é considerável.

“Ao longo da última década, regulamentações cada vez mais restritivas em torno de cavernas naturais se tornaram uma grande restrição em Carajás, particularmente em Serra Norte”, destacaram os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, do BTG Pactual.

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A presença de cavernas de máxima relevância reduziu a flexibilidade das minas, forçou planos de lavra menos eficientes, elevou as taxas de remoção de estéril e limitou o acesso a minérios de maior teor.

Como resultado dessas restrições, a produção de Serra Norte recuou de cerca de 140 milhões de toneladas por ano para aproximadamente 90 milhões de toneladas ao longo do tempo.

“O potencial de alta é significativo”, afirmaram Correa, Arazi e Gotardo.

A Vale já indicou anteriormente que um decreto revisado poderia reduzir a parcela de reservas afetadas por restrições de cavernas de máxima relevância de cerca de 30% para entre 10% e 15%, por meio de classificações técnicas mais precisas e mecanismos de compensação ambiental.

Decreto pode liberar 1,6 bilhão de toneladas de reservas

Em termos concretos, o impacto potencial é expressivo.

Em teoria, isso poderia liberar cerca de 1,6 bilhão de toneladas de reservas de minério de ferro, suportar aproximadamente 20 a 30 milhões de toneladas por ano de capacidade de reposição em Serra Norte, além de melhorar as taxas de remoção de estéril, reduzir custos de mineração e aumentar os teores médios do minério”, calcularam os analistas do BTG.

Os benefícios, contudo, dificilmente se materializarão antes do fim desta década, dado o tempo necessário para licenciamento e revisão dos planos de lavra.

BTG reitera compra com upside de dividendos e valuation descontado

O banco aguarda o texto final do decreto antes de avaliar o impacto completo na Vale, mas a direção do movimento é considerada favorável ao perfil produtivo de longo prazo da companhia.

“Vemos o decreto proposto como um potencial positivo estrutural importante para a Vale”, concluíram Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, que reiteram a recomendação de compra.

O papel negocia a apenas 4,3 vezes EV/EBITDA e oferece dividend yield estimado de cerca de 9%, com potencial adicional de valorização caso o plano de lavra se torne mais flexível e eficiente no longo prazo.

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