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Mercado Bitcoin aposta em diversificação mínima e stablecoins para o investidor mais velho

Mercado Bitcoin aposta em diversificação mínima e stablecoins para o investidor mais velho

Pesquisa mostra que público acima dos 50 anos tem menor interesse em cripto, e exchange aposta em alocação fracionária e stablecoins como porta de entrada

O investidor brasileiro acima dos 44 anos é o que mais resiste ao mercado cripto, e essa é justamente a faixa que sustenta o perfil conservador dominante no país.

A pesquisa “Panorama do Investidor Brasileiro: ativos digitais e o futuro dos investimentos”, divulgada pelo Mercado Bitcoin em parceria com o Opinion Box, mostra que o público acima dos 50 anos tem o menor interesse em entrar na categoria, com 41% considerando o investimento no futuro, contra 52% da geração Z, na faixa de 18 a 29 anos.

O estudo, feito com 1.009 investidores entre 10 e 15 de abril de 2026, retrata um país onde apenas 16% dos investidores possuem algum ativo digital, enquanto a renda fixa segue dominando as carteiras, com CDB (56%), Poupança (49%) e Tesouro Direto (30%).

Para furar essa resistência, o Mercado Bitcoin aposta em duas portas de entrada voltadas ao público mais velho, a diversificação mínima de carteiras tradicionais e produtos de renda em stablecoins.

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Diversificação mínima

A tese defendida por Giresse Contini, diretor de marketing do Mercado Bitcoin, é que a entrada do investidor conservador em cripto não passa por convencê-lo a apostar grandes posições em Bitcoin. Pequenas frações dentro de uma carteira tradicional já alteram o retorno final sem aumentar materialmente o risco assumido.

“Esse cliente acaba demandando muito mais regulação. Está muito mais interessado em segurança, em como vai declarar isso no imposto de renda, em como vai levar junto com o restante dos investimentos e como funciona a regulação que está vindo agora versus o resto do patrimônio”, afirmou Contini durante a apresentação dos dados.

Um estudo da MB Asset com dados de janeiro de 2014 a março de 2026 reforça o argumento.

Uma carteira tradicional 60/40, com 60% em CDI e 40% no Ibovespa, entregou retorno acumulado de 259,6% no período, com índice Sharpe de 0,13. Ao adicionar 1% de Bitcoin, o retorno sobe para 288% e o Sharpe vai a 0,21. Com 2,5%, são 334,2% e Sharpe de 0,34. Com 5%, o retorno chega a 421,5% e o Sharpe atinge 0,52, enquanto a volatilidade anualizada se manteve próxima dos 8,5%, contra 8,6% da carteira sem cripto.

Slide do Mercado Bitcoin sobre o papel da diversificação
Reprodução Mercado Bitcoin

O dado dialoga com um ponto cego identificado pela pesquisa. Quando questionados sobre qual foi o ativo mais rentável da última década, 78% dos investidores erram a resposta.

O Bitcoin lidera com retorno anualizado de 46,2% nos últimos dez anos, mais do que o dobro do S&P 500 (19,9%) e quatro vezes o ouro (11,5%). Entre os que já investem em cripto, o índice de acerto sobe para 37%, ainda assim minoritário.

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Renda em dólar

A segunda aposta da exchange para o público mais velho são as stablecoins, criptoativos atrelados a moedas tradicionais como dólar e euro. A pesquisa mostra que 64% dos investidores desconhecem o uso desses ativos para remessas internacionais sem incidência de IOF. O produto também permite obter rendimento em dólar via staking, com taxa de 5% ao ano no padrão do Mercado Bitcoin.

“Tivemos casos de clientes que trouxeram milhões de reais para comprar dólares e colocarem em staking dentro do MB. É um cliente que muito provavelmente já está exposto à bolsa americana, mas não tem acesso a um nível de rentabilidade desse tipo lá”, disse o executivo, comentando o desempenho de uma campanha de remuneração em dólar feita pela exchange no início do ano.

O argumento se conecta a outro dado da pesquisa. O investidor que já tem cripto na carteira demonstra maior maturidade na alocação como um todo, com 51% em ações (contra 26% do investidor geral), 46% em fundos imobiliários (ante 24%) e 45% em fundos de investimento (ante 27%). Felipe Schepers, COO do Opinion Box, observou que o comportamento por faixa etária é contraintuitivo.

“Curiosamente, em produtos diferentes, os mais jovens utilizam mais produtos do que os mais velhos. Eles diversificam mais. Para o público mais velho, principalmente, é um argumento forte. Experimente uma parte, 1% ou 2,5% de diversificação pode ter efeito na carteira no curto e médio prazo”, afirmou Schepers.

A pesquisa também mapeou os critérios que o investidor brasileiro considera ao escolher uma plataforma de cripto. A regulamentação aparece em primeiro lugar, com 55%, seguida por mecanismos de segurança (48%) e clareza no aplicativo com linguagem simples (45%). Atendimento personalizado, atendimento em português e proximidade com o cliente vêm em seguida, com cerca de um terço das menções cada.