O Grupo Mateus (GMAT3) registrou lucro líquido atribuível à companhia de R$ 236,8 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 39,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem líquida recuou 2 pontos percentuais, para 2,4%.
A receita líquida consolidada cresceu 12,2%, para R$ 9,85 bilhões, enquanto o Ebitda pós-IFRS 16 caiu 12,1%, para R$ 681,6 milhões. A margem Ebitda passou de 8,8% para 6,9%.
A comparação anual é influenciada pela incorporação do Novo Atacarejo. Os números do segundo trimestre de 2026 consideram integralmente a operação adquirida, enquanto a base de 2025 não inclui seus resultados.
O indicador de vendas mesmas lojas, que exclui parte desse efeito de expansão, recuou 8% no trimestre. No segundo trimestre de 2025, o indicador havia crescido 6,1%.
“O indicador de vendas nas mesmas lojas ficou negativo em 8%, refletindo um cenário de consumo ainda pressionado, marcado pelo elevado nível de endividamento das famílias e pelas mudanças no perfil da cesta de consumo da população”, informou o Grupo Mateus no release de resultados.
PublicidadePublicidade
Margens recuam em um ano, mas melhoram no trimestre
O lucro bruto alcançou R$ 2,31 bilhões, crescimento anual de 10,4%. A margem bruta, entretanto, caiu 0,3 ponto percentual, para 23,5%. Na comparação com o primeiro trimestre, houve avanço de 0,6 ponto percentual.
As despesas operacionais cresceram 23% em relação ao segundo trimestre de 2025, para R$ 1,62 bilhão, e passaram a representar 16,4% da receita líquida, ante 15% um ano antes. O resultado também foi afetado por uma despesa não recorrente de R$ 35 milhões relacionada ao pagamento de ICMS de períodos anteriores.
Na comparação trimestral, o desempenho apresentou recuperação. O lucro atribuído ao Grupo Mateus cresceu 11,2%, enquanto o Ebitda avançou 25,5%. A margem Ebitda subiu 1,1 ponto percentual ante os três primeiros meses do ano.
“Mesmo com as vendas ainda pressionadas, refletindo o cenário macroeconômico de consumo mais fraco e a redução das vendas no canal Balcão, o Grupo Mateus conseguiu melhorar a rentabilidade sequencialmente”, afirmou a companhia.
A operação consolidada de Pernambuco, Paraíba e Alagoas registrou vendas mesmas lojas 13,6% menores. A margem Ebitda dessa divisão ficou em 5,1%, abaixo dos 7,5% obtidos nas operações de Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia.
Leia também:
Dívida sobe com formação de estoques
A dívida líquida consolidada aumentou R$ 356,9 milhões em três meses e terminou junho em R$ 1,09 bilhão. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado passou de 0,33 vez para 0,51 vez.
Segundo o Grupo Mateus, o aumento do endividamento refletiu principalmente a formação de estoques para as campanhas de aniversário das bandeiras. O ciclo de conversão de caixa ficou em 42 dias, dois dias acima do registrado ao fim do primeiro trimestre.
“A dívida líquida, considerando a consolidação do Novo Atacarejo, totalizou R$ 1,1 bilhão ao final de junho de 2026, refletindo o consumo de caixa no período devido principalmente ao maior investimento em estoque”, explicou a administração.
Em contrapartida, os investimentos recuaram 36,5% na comparação anual, para R$ 162,2 milhões. A empresa atribuiu a redução à menor aplicação de recursos em novas lojas e terrenos, diante do atual nível das taxas de juros.
O Grupo Mateus encerrou o trimestre com 234 lojas de varejo alimentar. Seis unidades foram inauguradas no período, incluindo dois atacarejos e quatro supermercados.







