O banco Safra reduziu o preço-alvo das ações do Grupo Mateus (GMAT3) de R$ 6,00 para R$ 4,50, mas alertou que o papel pode cair ainda mais — chegando a R$ 3,40 por ação, abaixo da cotação atual — caso a companhia não consiga repassar aos preços os custos decorrentes da adoção da escala de trabalho 5×2.
A revisão foi assinada pelos analistas Vitor Pini, Tales Granello e Renan Sartorio, que mantiveram a recomendação neutra para o papel, com potencial de valorização de 15% em relação ao novo alvo.
A análise incorpora resultados recentes, premissas macroeconômicas mais conservadoras e a extinção de benefícios fiscais que a empresa vinha usufruindo.
Entre os principais fatores que motivaram o corte estão a desaceleração do PIB projetado para 2026 — de 2,2% para 1,6% — e a elevação da taxa Selic média esperada para o ano, de 12,9% para 14,5%.
“Estamos adotando uma postura mais conservadora em relação ao crescimento, uma vez que o cenário macroeconômico permanece desafiador e deve continuar pressionando os resultados”, afirmaram os analistas Vitor Pini, Tales Granello e Renan Sartorio no relatório.
Menos lojas, menos vendas
A equipe do Safra reduziu drasticamente a estimativa de abertura de novas unidades pelo Grupo Mateus. Para 2026, a projeção caiu de 31 para apenas 5 novas lojas; em 2027, de 23 para 4; e em 2028, a expectativa é de que não haja nenhuma abertura.
A decisão reflete o foco da empresa na recuperação do desempenho das lojas já existentes, especialmente após o índice de vendas mesmas lojas (SSS) registrar queda de 7,3% no primeiro trimestre de 2026.
O abandono das operações de “Balcão” — parte do atacado B2B — também foi citado como fator de pressão sobre o SSS nos próximos três trimestres. Com isso, as estimativas de receita foram reduzidas em 13% para 2026, 17% para 2027 e 22% para 2028.
Apesar do ajuste negativo no topo da linha, os analistas projetam uma melhora gradual nas margens, com elevação de 50 pontos-base ao ano na margem bruta entre 2026 e 2028, à medida que a empresa direciona esforços à rentabilidade.
Contudo, a queda nas vendas e seus efeitos sobre a diluição de despesas mais do que compensaram esse efeito positivo.
“A revisão para baixo nas vendas e o consequente impacto na diluição de despesas mais do que neutralizaram o efeito positivo na margem bruta, levando a um corte de 104 pontos-base na margem EBITDA para 2026”, explicaram Pini, Granello e Sartorio.
Escala 5×2 pode derreter valuation
Um dos pontos de maior atenção do relatório é o impacto potencial da nova escala de trabalho 5×2 sobre os custos da operação.
Os analistas conduziram uma análise de sensibilidade que aponta para um aumento nas despesas de vendas entre 4,1% e 11%, dependendo do cenário. Para neutralizar esse impacto, o Grupo Mateus precisaria reajustar preços entre 1,6% e 3,8%.
Caso isso não aconteça — hipótese que o próprio Safra considera improvável, mas não descartável —, o lucro líquido de 2027 pode recuar entre 10% e 24%.
Nesse cenário extremo, o preço-alvo cairia para uma faixa entre R$ 4,00 e R$ 3,40 por ação, abaixo do patamar atual de negociação.
“Considerando o múltiplo-alvo implícito em nosso cenário base e o impacto dessa medida sobre o lucro líquido, nosso preço-alvo oscilaria entre R$ 4,00 e R$ 3,40, o que implica que o preço atual já reflete algum efeito da medida”, pontuaram os analistas Vitor Pini, Tales Granello e Renan Sartorio.
Apesar do tom cauteloso, o banco entende que o nível de valuation atual — equivalente a 6,9 vezes o lucro projetado para 2026, abaixo da média histórica de 9 vezes — já precifica razoavelmente os desafios que a varejista enfrenta no curto prazo.






