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Bitcoin tende a ser o melhor ativo após crises recentes; entenda a tese do MB

Bitcoin tende a ser o melhor ativo após crises recentes; entenda a tese do MB

Levantamento do Mercado Bitcoin indica que a criptomoeda liderou o desempenho em janelas de 60 dias após choques recentes

Nos 60 dias seguintes a crises macroeconômicas e geopolíticas recentes, o Bitcoin superou o ouro e o S&P 500 em diferentes recortes, segundo levantamento do Mercado Bitcoin

A tese defendida pela corretora é que a criptomoeda pode até sofrer no momento inicial de estresse, mas tende a reagir melhor depois que o pânico perde força e o mercado volta a olhar fundamentos.

O estudo cita dois exemplos. No Liberation Day, em abril de 2025, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou tarifas contra diversos países, o Bitcoin subiu 24% nos 60 dias seguintes, contra alta de 8% do ouro e de 4% do S&P 500. 

Já no início da pandemia de Covid-19, em março de 2020, a criptomoeda avançou 21%, enquanto os demais ativos tiveram ganhos de no máximo 4% no mesmo intervalo.

“O levantamento reforça que o Bitcoin nem sempre sobe no momento em que a tensão começa. Mas, após o impacto inicial, o histórico do ativo indica uma resiliência maior do que muitos investidores esperam”, afirmou Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin.

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Pós-choque

A leitura do MB não apareceu isolada. Em relatório divulgado nesta semana, a Binance Research afirmou que não existe uma relação estável entre os retornos do Bitcoin e do petróleo ao longo do tempo, mas argumentou que o episódio recente no Estreito de Ormuz reforçou a resiliência do BTC em momentos de crise

Entre 23 de fevereiro e 18 de março de 2026, com o Brent disparando 46%, o Bitcoin avançou 15%, acima do Nasdaq, que subiu 1%, e do ouro, que caiu 3%.

Segundo a Binance , o comportamento do Bitcoin no choque passou por três fases: 

  1. fraqueza inicial nos primeiros dias, 
  2. absorção lateral no período seguinte e 
  3. só depois uma alta mais independente. 

Esse padrão também aparece em um relatório semanal do BTG Pactual (BPAC11) sobre criptomoedas. 

O banco afirmou que, apesar da aversão a risco gerada pelo conflito no Oriente Médio, o Bitcoin mostrava resiliência relativa desde 28 de fevereiro, com alta de cerca de 8%. No mesmo período, o S&P 500 caiu 4% e o ouro recuou 13,5%, o que, segundo o BTG, reforça o potencial de recuperação mais rápida da criptomoeda no pós-choque inicial.

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Volatilidade importa

Isso não significa, porém, que a tese esteja livre de ressalvas. O próprio BTG pondera que o mercado cripto continua sensível a surpresas de inflação, atividade e juros, em um ambiente de estagflação e incerteza geopolítica

A Binance vai na mesma direção ao observar que o Bitcoin seguiu de perto os movimentos do petróleo e das bolsas americanas no conflito, ainda que com amplitude diferente. 

Ainda assim, o pano de fundo de fluxo segue construtivo. O BTG destacou que os ETFs de Bitcoin acumularam mais de US$ 2,3 bilhões em captações nas últimas cinco semanas, enquanto funding rates negativos em contratos futuros costumam abrir espaço para um short squeeze caso o ambiente geopolítico melhore. 

Desde 2016, segundo o banco, após três dias consecutivos de funding rates negativos, o retorno médio do Bitcoin em 60 dias foi de 25,83%, acima da média histórica de 14,02%.