O BTG Pactual completou um non-deal roadshow na Europa, com o Nubank (ROXO34) como principal tema de discussão entre os investidores. A análise é dos analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale.
O humor dos investidores deteriorou desde o roadshow nos EUA em abril, quando o Ibovespa se aproximava de 200 mil pontos. Vários papéis caíram mais de 20% desde então, enquanto os do Nubank recuaram 28%.
Itaú (I$TUB4) e BTG (BPAC11) foram apontados como os melhores ativos no ambiente atual. O Nubank gerou interesse crescente, mas com sentimento ainda muito dividido.
Nubank é o mais discutido, com viés histórico negativo na Europa
Os investidores europeus sempre tiveram postura mais cética em relação ao Nubank do que seus pares americanos, por questões de valuation.
“Como investidores mais orientados a valor, em média, os europeus sempre tiveram um viés mais negativo em relação ao Nubank — mas a queda de 21% no ano gerou interesse crescente em comprar, ainda que com baixa confiança”, afirmam Rosman, Buchpiguel e Pascale.
Qualidade dos ativos domina as reuniões
O aumento em provisões no primeiro trimestre pressionou as ações, mas a explicação dada na teleconferência ajudou a conter a correção.
“As razões por trás do aumento de provisões foram bem explicadas na teleconferência, o que provavelmente salvou o papel de uma correção ainda maior”, avaliam os analistas.
Para o segundo trimestre, a maioria dos investidores espera números decentes, sem resolução das dúvidas sobre crédito.
“A assimetria para o segundo trimestre não parece particularmente boa — a maioria acredita que os números serão decentes, mas concorda que as preocupações com qualidade de crédito não desaparecerão tão cedo”, observam Rosman, Buchpiguel e Pascale.
Dois ou três trimestres de melhora seriam necessários para convencer
O consenso é que o Nubank precisaria de dois a três trimestres com boa qualidade de ativos para reconquistar a confiança dos investidores europeus.
“Discutimos em várias reuniões a estratégia low-and-grow, com tickets pequenos e duração por cliente que permitem à companhia atravessar o ciclo de crédito”, concluem os analistas.
O risco de baixa seria uma piora na qualidade dos ativos combinada com desaceleração de crescimento — cenário que poderia levar mais investidores a desistir do papel.






