O interesse por comprar Bitcoin voltou a crescer em meio à forte volatilidade do mercado. Dados do Google Trends mostram que as buscas pela expressão “comprar Bitcoin” atingiram o pico em fevereiro no Brasil, Estados Unidos e Argentina, justamente no momento de maior turbulência do ativo.
No período, o Bitcoin acumulou queda de 20%. Na primeira semana de fevereiro, quando a desvalorização foi mais intensa, o índice da ferramenta chegou a 100, nível máximo de interesse dentro da série histórica de 12 meses analisada.
Os três países também figuram entre os líderes do Índice Global de Adoção de Criptomoedas, elaborado pela Chainalysis, o que reforça a relevância do movimento observado nas pesquisas.
Comprar Bitcoin cresce durante quedas acentuadas
Para Rony Szuster, Head de Research do MB | Mercado Bitcoin, a relação entre queda de preços e aumento nas buscas não é casual. “Movimentos bruscos de preço tendem a impulsionar a busca por informação, à medida que investidores procuram entender os motivos da oscilação para saber como agir em meio à volatilidade.”
Ele acrescenta que parte dos investidores enxerga oportunidades nesses momentos. “Muitos veem nas quedas acentuadas uma oportunidade estratégica de entrada, com a expectativa de capturar ganhos maiores no longo prazo ao comprar em momentos de preço baixo”, afirma.
Dados do MB indicam que, em fevereiro, 2,7 vezes mais investidores compraram Bitcoin do que venderam. O movimento sugere postura de acúmulo mesmo diante da desvalorização.
Volatilidade histórica e estratégia de longo prazo
Em outubro, o Bitcoin atingiu nova máxima histórica, ao chegar a US$126 mil. Desde então, o ativo acumula queda superior a 45%, movimento que pode assustar investidores iniciantes, mas que não é incomum no mercado de criptomoedas.
Em 2021, por exemplo, a moeda digital chegou a recuar quase 60% antes de mais do que dobrar de valor em menos de seis meses. Para Szuster, manter disciplina é fundamental nesse cenário.
“Essa estratégia dilui o preço médio ao longo do tempo e reduz a necessidade de análises gráficas, além de minimizar preocupações com o sobe e desce do mercado”, reforça, ao defender aportes regulares como abordagem recomendada.
Interesse cresce 88% no Brasil em um ano
No Brasil, as buscas pelo termo Bitcoin cresceram 88% entre março de 2025 e fevereiro de 2026. O avanço indica aumento consistente da atenção dos investidores ao ativo, tanto em momentos de alta quanto de baixa.
Outro pico de interesse foi registrado em julho de 2025, quando o Bitcoin valorizou 12% e voltou ao topo do ranking das aplicações mais rentáveis.
Os dados do Google Trends variam de 0 a 100 e são ajustados por país e período. O índice 100 representa o ponto de maior popularidade do termo em relação ao total de buscas, permitindo comparar o interesse ao longo do tempo e entre regiões.





