O Grupo Toky (TOKY3), dono das marcas Mobly e Tok&Stok, registrou queda expressiva em todos os indicadores financeiros no primeiro trimestre de 2026. A receita líquida recuou 18,9%, para R$ 309,4 milhões, ante R$ 381,4 milhões no mesmo período de 2025.
O GMV consolidado somou R$ 418,6 milhões no 1T26, contra R$ 496,3 milhões no 1T25, queda de 15,7%. A deterioração foi impulsionada por ruptura na cadeia de suprimentos e pelo ambiente macroeconômico restritivo, com juros elevados e consumidor endividado.
Em 12 de maio de 2026 — após o trimestre — o grupo protocolou pedido de recuperação judicial da holding e subsidiárias.
Ebitda despenca 73% e margem vai a 4,6%
O Ebitda do grupo totalizou R$ 14,2 milhões no 1º trimestre de 2026, queda de 73,2% frente aos R$ 53,1 milhões do primeiro trimestre de 2025. A margem caiu de 13,9% para 4,6% no período.
O Ebtida Ajustado foi de R$ 19,1 milhões, com margem de 6,2%, ante R$ 53,9 milhões e 14,1% no mesmo período do ano anterior. Excluindo efeitos não recorrentes, o Ebitda normalizado ficou em apenas R$ 6,2 milhões, com margem de 2%.
O Ebit foi negativo em R$ 28,3 milhões, com margem de -9,2%, ante resultado praticamente nulo no mesmo período do ano anterior.
Prejuízo quase dobra e custo financeiro pesa
O prejuízo líquido do grupo atingiu R$ 75,5 milhões, alta de 71,6% frente ao prejuízo de R$ 44 milhões no ano anterior. A margem líquida foi de -24,4%, ante -11,5%.
O resultado financeiro foi negativo em R$ 47,6 milhões, pressionado pelos encargos do endividamento assumido na aquisição da Tok&Stok e pelos juros de antecipação de recebíveis. O grupo encerrou o trimestre com R$ 40,8 milhões em caixa e liquidez total de R$ 119,8 milhões.
Custos logísticos e marketing sobem sobre a receita
A margem bruta recuou de 54,8% no 1T25 para 52,5% no 1T26, pressionada por descontos concedidos pela Mobly para compensar restrições de estoque. Na Mobly, a margem caiu de 46,9% para 41,5%.
Os custos logísticos subiram para 14,4% da receita, ante 12,1% no 1T25, impactados pela consolidação dos estoques no CD de Cajamar.
As despesas com marketing e vendas também avançaram, de 12,0% para 14,1% da receita, com maior custo de conversão e alto volume de cancelamentos. O grupo capturou R$ 97 milhões em sinergias até março de 2026 e projeta adicionar R$ 80 a R$ 135 milhões por ano nos próximos cinco anos.






