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Renda fixa lidera recuperação da indústria de fundos

Renda fixa lidera recuperação da indústria de fundos

Indústria de fundos encerra 2024 com captação de R$ 60,7 bi, impulsionada pela renda fixa e adaptação à Resolução 175

A indústria brasileira de fundos de investimento encerrou 2024 com uma captação líquida positiva de R$ 60,7 bilhões, marcando a interrupção de dois anos consecutivos de resultados negativos. 

Segundo levantamento da ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), o desempenho foi impulsionado pela forte recuperação da Renda Fixa, que atraiu R$ 243 bilhões no período, revertendo uma saída líquida de R$ 58 bilhões registrada em 2023.

O patrimônio líquido do setor também cresceu significativamente, avançando 10,1% e alcançando R$ 9,2 trilhões ao final do ano. 

Apesar dos desafios enfrentados por algumas categorias, a retomada da captação líquida positiva depois de dois anos de resultados negativos é uma demonstração da solidez e da resiliência da nossa indústria de fundos“, avaliou Pedro Rudge, diretor da ANBIMA.

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Destaque para Renda Fixa

Os fundos de Renda Fixa não apenas lideraram a captação como também se destacaram em rentabilidade. Os fundos do tipo dívida externa registraram um rendimento acumulado de 29,1% no ano, muito acima do CDI, que fechou em 10,8%. 

Outro ponto relevante foi o avanço do crédito privado, que movimentou R$ 113,3 bilhões em fundos com composições de 50% a 70% desses ativos.

A demanda crescente por fundos com maior exposição a crédito privado levou a um aumento de 49% na quantidade de produtos dessa classe, que passaram a representar 7% da indústria de fundos de investimento. 

Em termos de patrimônio líquido, sua participação subiu para 12% do total, dois pontos percentuais acima do registrado em 2023.

Desafios nos fundos multimercados e de ações

Enquanto a Renda Fixa brilhou, os fundos multimercados e de ações enfrentaram dificuldades. Os multimercados registraram captação líquida negativa de R$ 356,7 bilhões, ampliando as perdas de R$ 180,9 bilhões observadas em 2023. Apesar disso, os multimercados com investimentos no exterior foram uma exceção, apresentando a maior rentabilidade da categoria, de 11,4%.

Os fundos de ações acompanharam a performance negativa do Ibovespa, que recuou 10,4% no ano. O maior tombo foi registrado pelos fundos small caps, que tiveram queda de 22%, enquanto a única categoria com rentabilidade positiva foi a de ações com investimentos no exterior, com alta de 2,6%.

Captação líquida dos fundos dos fundos de investimentos
ANBIMA

Adaptação à Resolução 175

Outro marco para a indústria em 2024 foi a adaptação à Resolução 175 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que trouxe mudanças nas regras para os fundos. Até dezembro, 29% dos fundos, representando R$ 2,1 trilhões em patrimônio líquido, já haviam sido ajustados às novas normas.

A nova regulação introduziu inovações, como a possibilidade de limitação de responsabilidade do cotista, adotada por 65% dos fundos adaptados, e a autorização para investir em ativos no exterior, declarada por 61%. Além disso, 4.277 novos fundos foram criados dentro dos critérios estabelecidos pela Resolução 175.

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