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Resgates de fundos DI desaceleram

Resgates de fundos DI desaceleram

Fundos de infraestrutura acumulam resgates de R$ 10 bi em maio parcial, enquanto taxa nominal de debêntures incentivadas chega à máxima histórica de IPCA+8,45%

O mercado de crédito privado brasileiro começa a dar sinais de estabilização após um período turbulento. Segundo análise dos analistas Thomas Tenyi, Renan Tiburcio e Fernando Soares, do BTG Pactual, o movimento de abertura de spreads que começou em 10 de fevereiro perdeu fôlego, e as debêntures DI+ passaram a registrar fechamento consistente desde meados de abril.

Spreads fecham, mas ainda estão acima do início do ano

O IDA-DI atingiu pico de CDI+1,71% em 15 de abril, acumulando abertura de 44 bps no ano. Desde então, o índice fechou continuamente, chegando a CDI+1,40% em 21 de maio.

“O movimento representa fechamento de 18 bps em maio e de 31 bps desde o pico de abril, embora o índice ainda acumule abertura de 13 bps no ano”, destacam Thomas Tenyi, Renan Tiburcio e Fernando Soares.

Em infraestrutura, a taxa nominal das debêntures incentivadas atingiu máxima histórica de IPCA+8,45% em 19 de maio.

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“A abertura de spreads segue disseminada, com cerca de 83% dos papéis do índice apresentando abertura de prêmio no mês”, apontam os analistas.

Resgates desaceleram em fundos DI, mas infra ainda sangra

No ano, a amostra de aproximadamente 1.100 fundos de crédito do BTG acumula resgates de R$ 69 bilhões. O pico ficou em abril, com R$ 31 bilhões saindo.

“Os dados parciais até 21 de maio indicam desaceleração dos resgates para R$ 8,3 bilhões no mês, o que equivale a apenas 0,5% do PL”, afirmam os analistas.

Os fundos de infraestrutura seguem em situação mais difícil.

“Nossa amostra de aproximadamente 1.900 fundos de infraestrutura segue registrando resgates mais relevantes, totalizando R$ 11 bilhões nos dados parciais de maio, com o IDA-IPCA Infra caminhando para o terceiro mês consecutivo de performance negativa”, alertam Tenyi, Tiburcio e Soares.

Mercado primário mais seletivo; FIDCs batem recorde

As emissões de crédito privado recuaram 25,6% em abril na comparação mensal, para R$ 45 bilhões. As debêntures tradicionais caíram 51,7% no mês, com apenas 13% distribuído ao mercado. O destaque positivo ficou com os FIDCs, que somaram R$ 15 bilhões — recorde histórico da ANBIMA.

Alocação migra para renda fixa e títulos públicos

O patrimônio sob gestão dos segmentos Private e Varejo permanece em R$ 8,8 trilhões.

“A alocação em renda fixa direta avançou 0,3 ponto percentual, para 45% do total, com os títulos públicos crescendo 11,2% no ano e chegando a R$ 293 bilhões”, concluem os analistas Thomas Tenyi, Renan Tiburcio e Fernando Soares — sinalizando uma migração consistente dos investidores para ativos mais seguros num ambiente de juros elevados.