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FIDCs multiclasse ganham espaço com avanço do crédito estruturado

FIDCs multiclasse ganham espaço com avanço do crédito estruturado

Busca por diversificação, governança e proteção ao investidor impulsiona estruturas mais sofisticadas no mercado de crédito privado.

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) multiclasse vêm ganhando relevância em meio ao avanço do crédito estruturado no Brasil. Segundo dados citados pela IOX, a categoria chamada “FIDC Outros”, que reúne operações mais complexas e diversificadas, alcançou patrimônio de R$ 113,8 bilhões entre janeiro e novembro de 2025, alta de 40% no período e o terceiro maior da indústria.

A leitura é que o mercado entrou em uma fase mais madura, com investidores mais seletivos na escolha de gestores, lastros e estruturas de proteção. Na prática, isso significa que a captação segue positiva, mas mais concentrada em veículos com governança mais robusta, histórico operacional e mecanismos mais claros de mitigação de risco.

Segundo Richard Ionescu, CEO da IOX, o crescimento acelerado entre 2021 e 2024 abriu espaço para estruturas mais simples, mas 2025 marcou uma mudança importante no comportamento do investidor.

“Em 2025, o investidor passou a discriminar melhor risco, gestor e lastro. O resultado é mais fundos sendo criados, mas com captação concentrada em estruturas mais robustas”, afirmou o executivo.

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Mais proteção ao investidor

No centro desse movimento estão os FIDCs multiclasse, que permitem organizar diferentes camadas de risco dentro do mesmo fundo, com cotas seniores, mezanino e júnior. Esse desenho ajuda a distribuir melhor o risco entre perfis distintos de investidores e amplia a flexibilidade de financiamento para empresas.

A IOX avalia que o investidor continua disposto a tomar risco, mas de forma mais criteriosa, privilegiando estruturas com subordinação elevada, overcollateral, seguros e histórico comprovado. Esse perfil também ajuda a explicar o crescimento dos chamados “FIDC Outros”, categoria que concentra operações com contratos B2B, crédito corporativo para empresas de middle market, recebíveis financeiros estruturados e modelos híbridos com garantias adicionais.

“Essa classificação virou um guarda-chuva de inovação. O investidor está buscando menos commodity de crédito e mais engenharia de risco”, disse Ionescu.

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Mais seletividade

Outro vetor citado no material é a migração de recursos da renda fixa tradicional para o crédito estruturado. Em muitos casos, os FIDCs passaram a disputar espaço que antes ficava com produtos como CDBs, fundos DI e debêntures simples, deixando de ser vistos apenas como uma alternativa tática de CDI mais prêmio.

A evolução regulatória também ajudou esse processo. Mudanças recentes na divulgação de informações dos FIDCs elevaram o nível de transparência e padronização, o que tende a facilitar a entrada de investidores institucionais, como fundos de pensão, seguradoras e family offices.

Apesar da expansão, a expectativa é de continuidade com mais disciplina. A avaliação da IOX é que o próximo ciclo do setor deve premiar menos a quantidade de fundos e mais a qualidade das estruturas, com foco em originação, governança e gestão de risco.