Viajar para conhecer um restaurante já deixou de ser programa reservado aos apaixonados por gastronomia. A mesa entrou de vez no planejamento das férias, e a lista anual de restaurantes favoritos do The New York Times ajuda a mostrar como alguns endereços americanos estão se transformando em atrações capazes de colocar bairros e cidades inteiras no radar dos viajantes.
Na seleção de 2026, a Califórnia ganhou espaço com propostas bastante diferentes entre si. Dois dos destaques estão na região da Baía de São Francisco: o Bar Panisse, em Berkeley, e o Restaurant Naides, em São Francisco. O primeiro é ligado ao histórico Chez Panisse, enquanto o segundo aposta em alta gastronomia com referências filipinas e ingredientes californianos.
Bar Panisse leva a tradição de Alice Waters para um formato descontraído
Aberto em dezembro de 2025, o Bar Panisse nasceu como uma extensão da filosofia gastronômica associada à chef Alice Waters. Instalado na Shattuck Avenue, em Berkeley, o endereço rapidamente passou a atrair filas e chamou a atenção pela cozinha comandada pela chef executiva Amelia Telc.
Ao comentar o reconhecimento, a gerente-geral Maud Moulle resumiu a proposta do lugar: “o amor por ingredientes de alta qualidade, culinária simples e generosa”.
O New York Times destacou justamente a aparente simplicidade do cardápio e sua execução cuidadosa. Entre os pratos citados estão o feijão-manteiga cremoso e as flores de abobrinha recheadas com peperonata doce. O reconhecimento também marca o segundo ano consecutivo em que um bar de vinhos da Bay Area aparece entre os endereços escolhidos pela publicação.
Em São Francisco, Naides mistura Califórnia e Filipinas
Em Nob Hill, o Restaurant Naides segue outro caminho. Inaugurado por Patrick Gabon e Celine Wuu no fim de 2025, o restaurante recebeu o nome em homenagem à mãe de Gabon e trabalha com um menu degustação inspirado nos sabores filipinos e nos produtos da Califórnia.
Entre os pratos que despertaram a atenção da publicação está uma versão de sinigang, sopa tradicional filipina descrita pelo New York Times como “transcendente”. O restaurante também conquistou recentemente sua primeira estrela Michelin, somando outro selo de prestígio ao endereço de São Francisco.
Califórnia aparece com diferentes estilos de cozinha
A seleção mostra que o reconhecimento gastronômico não está restrito aos formatos clássicos da alta cozinha. No sul da Califórnia, a lista inclui o Mesa Agricola, em Escondido, dedicado a tacos e burritos; o Komal, no sul de Los Angeles; o Jacaranda, que marca o retorno do chef Daniel Patterson à alta gastronomia; e o Yerord Mas, padaria e delicatessen armênia instalada em Glendale.
São endereços com propostas, preços e experiências distintas. Em comum, eles ajudam a ampliar o mapa de destinos gastronômicos americanos e colocam bairros menos óbvios dentro dos roteiros de quem viaja interessado em comer bem.
Quando o restaurante passa a definir a viagem
O movimento acompanha uma mudança perceptível no turismo: a gastronomia virou motivo para escolher um destino. Para hotéis, bairros e cidades que disputam o viajante interessado em experiências premium, contar com um restaurante desejado internacionalmente pode influenciar a decisão de reserva e até prolongar uma estadia.
Nesse cenário, listas como a do New York Times funcionam também como um mapa de viagem. Um jantar pode levar o visitante a Berkeley, Nob Hill, Escondido ou Glendale e, a partir da mesa, apresentar uma nova parte dos Estados Unidos.
Para o turismo de lifestyle, essa talvez seja a principal mensagem da seleção de 2026: alguns dos roteiros americanos mais interessantes começam pela escolha do restaurante.
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