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Assaí entra no varejo de combustíveis de olho em novas receitas, mas impacto deve ser limitado

Assaí entra no varejo de combustíveis de olho em novas receitas, mas impacto deve ser limitado

O Assaí está avançando para o varejo de combustíveis com a aquisição de 18 postos que já operam em suas lojas em São Paulo

O Assaí (ASAI3) está avançando para o varejo de combustíveis com a aquisição de 18 postos que já operam em suas lojas em São Paulo, em um movimento que pode servir de plataforma para uma rede de até 100 unidades no longo prazo. Embora a estratégia seja vista como positiva por Ativa Investimentos e Itaú BBA por ampliar a monetização dos ativos e criar oportunidades de fluxo e venda cruzada, as corretoras avaliam que a contribuição financeira tende a ser modesta: em um cenário de expansão completa, a operação poderia gerar até R$ 110 milhões em Ebitda, equivalente a no máximo 2,3% do Ebitda consolidado projetado para 2027 pelo Itaú BBA.

Em relatório, a Ativa classificou a iniciativa de forma positiva e destacou que ela está alinhada à estratégia da companhia de monetizar seus ativos.

O potencial de aproximadamente 100 postos representaria cerca de 32% das 313 lojas atualmente em operação pelo Assaí. Para a Ativa, porém, o projeto não deve ser analisado apenas sob a ótica da exploração de uma nova atividade. A instalação dos postos poderia complementar a operação alimentar, aumentar a circulação de consumidores nas unidades e abrir espaço para iniciativas de cross-sell, com a venda de outros produtos e serviços aos clientes que abastecerem nos estabelecimentos.

A corretora também vê a iniciativa como uma possível porta de entrada do Assaí no processo de eletrificação no médio prazo, diante da transformação da mobilidade e do avanço dos veículos elétricos.

Investimento pequeno

De acordo com a Ativa, o investimento estimado por posto seria de aproximadamente R$ 4,4 milhões. O valor equivale a cerca de 6% do capex normalizado de uma nova loja do Assaí, estimado pela corretora em aproximadamente R$ 70 milhões.

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Considerando a instalação de cerca de 100 postos, o investimento potencial chegaria a aproximadamente R$ 444 milhões. Embora seja um desembolso relevante em termos absolutos, a Ativa avalia que o montante teria impacto limitado sobre a geração de caixa da companhia.

Isso ocorre porque o capex estimado para os postos representaria aproximadamente 22% a 23% dos cerca de R$ 1,9 bilhão a R$ 2 bilhões que a companhia poderia monetizar em créditos de PIS/Cofins, considerando tanto valores retroativos quanto recorrentes.

Impacto financeiro limitado

Por sua vez, o Itaú BBA avalia que a entrada do Assaí no varejo de combustíveis, embora represente um movimento estratégico para a companhia, deve ter impacto limitado sobre seus resultados financeiros.

Para o banco de investimentos, a aquisição inicial deve ser vista principalmente como um movimento de posicionamento estratégico. A operação permite ao Assaí testar e desenvolver o modelo de negócio em suas próprias lojas antes de uma eventual expansão para outras unidades.

Em um cenário considerado relativamente otimista pelo banco, uma rede de 100 postos poderia registrar vendas mensais de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões por unidade, com margem Ebitda entre 4% e 5%. O parâmetro utilizado pelo Itaú BBA é semelhante ao desempenho da operação de combustíveis do Carrefour no Brasil.

Com essas premissas, a rede completa poderia gerar entre R$ 66 milhões e R$ 110 milhões em Ebitda por ano.

Apesar do valor absoluto, o impacto seria pequeno diante do tamanho do Assaí. O Ebitda estimado dos 100 postos corresponderia a aproximadamente 1,4% a 2,3% do Ebitda consolidado projetado pelo Itaú BBA para a companhia em 2027.

Ganho líquido pode ser ainda menor

O banco ressalta, porém, que mesmo essa estimativa pode superestimar a contribuição efetiva da nova operação para o resultado do grupo. Isso porque, ao assumir diretamente os postos, o Assaí provavelmente deixará de receber receitas de sublocação que atualmente são pagas pelos operadores dos estabelecimentos.

Na prática, parte da receita operacional gerada pela atividade de combustíveis pode ser compensada pela perda dessa receita imobiliária. Por isso, o impacto líquido sobre os resultados tende a ser menor do que o Ebitda bruto projetado para a futura rede.

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