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Política de crédito mais restritiva da Caixa é desafio administrável para Cury

Política de crédito mais restritiva da Caixa é desafio administrável para Cury

A análise do Santander sobre Cury mostra que a restrição de crédito pode impactar lançamentos e vendas, mas desafios são gerenciáveis

A política de crédito mais conservadora da Caixa Econômica Federal deve limitar o ritmo de lançamentos e vendas da Cury (CURY3), mas tende a ser um desafio administrável para a companhia, na avaliação do Santander. Em relatório, o banco incorporou as novas condições de financiamento às projeções e, mesmo após reduzir suas estimativas, reiterou a recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 49 para 2027.

O Santander adotou premissas mais cautelosas para lançamentos e pré-vendas diante de um cenário macroeconômico mais desafiador e da maior restrição da Caixa na concessão de crédito. Para 2026, a projeção de lançamentos foi reduzida em 7%, para R$ 9 bilhões, enquanto a estimativa para 2027 caiu 10%, para R$ 9,5 bilhões.

As pré-vendas também foram revisadas para baixo: 13% em 2026 e 9% em 2027. Segundo o banco, a redução incorpora não apenas o menor volume esperado de lançamentos, mas também os efeitos da postura mais restritiva da Caixa sobre o financiamento dos compradores.

Cury poderia absorver impacto sobre crédito

Na avaliação do Santander, a Cury não está imune às mudanças nas políticas de crédito da Caixa, mas reúne características que podem limitar os efeitos sobre seus negócios. Entre elas estão a capacidade comercial da companhia, a maior exposição às faixas 3 e 4 do programa habitacional, a baixa dependência de financiamento após a entrega dos imóveis e a qualidade do banco de terrenos.

Esse último fator é considerado particularmente relevante pelo banco. A qualidade do estoque de terrenos da Cury tem permitido à companhia alcançar consumidores com perfil de crédito considerado melhor, o que pode ajudar a reduzir os efeitos de uma maior seletividade na concessão de financiamentos.

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A exposição às faixas de renda mais altas dentro do programa habitacional também funciona como um diferencial, na leitura do Santander, diante das mudanças nas condições de crédito.

Estimativas reduzidas

As revisões nas premissas de lançamentos e vendas levaram o Santander a cortar em 4% sua estimativa de receita líquida da Cury para 2026 e em 5% a projeção para 2027.

Apesar dos ajustes, o banco manteve praticamente inalteradas as expectativas para as margens brutas, em 39,2% para 2026 e 39,1% para 2027. A pressão sobre o resultado, portanto, também deverá vir de maiores despesas comerciais e financeiras.

Com isso, a projeção de lucro líquido foi reduzida em 7%, para R$ 1,2 bilhão em 2026 e R$ 1,5 bilhão em 2027.

Mesmo com os cortes nas estimativas, o Santander continua enxergando uma relação de risco e retorno atrativa para os papéis da incorporadora.

Valuation e dividendos sustentam tese

A Cury é negociada, segundo as estimativas do banco, a 5,9 vezes o lucro projetado para 2027. O Santander destaca ainda a expectativa de crescimento anual composto do lucro por ação de aproximadamente 17% entre 2025 e 2028.

Outro ponto ressaltado é o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), projetado em cerca de 75% em 2027. A expectativa de distribuição de dividendos também permanece elevada, com dividend yield estimado em 9,3% para 2026 e 11,8% para 2027.